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2 de mai. de 2013

Star Trek: TOS Building Deck Game


Por Arnaldo V. Carvalho

Quando joguei pela primeira vez, não me furtei a escrever minhas primeiras impressões para os amigos, e especular sobre o futuro do jogo, como podem ver nos fragmentos a seguir.

 (…) “Engraçado é que o fator sorte existente não me incomodou. De certa forma porque o tema suscita ao inesperado encontrado tantas vezes pela Enterprise, mas também porque as variáveis da sorte na verdade são probabilidades calculáveis”.

”…aprende-se rápido o como jogar e suas manhas. Demorada é a MEMORIZAÇÃO dos efeitos e poderes das muitas cartas. (…) A vantagem é que, para quem curte o tema, o processo de memorizar é bem  agradável: vai-se revendo os personagens da série, e se pode perceber que o primoroso trabalho foi feito na combinação dos efeitos de carta com a temática é parte do fascínio do próprio jogo. Aprender Star Treck BDG é em si uma diversão”.

“Éramos quatro a mesa; acredito que o jogo cheio como foi deve ser o ideal, impedindo "clima de perseguição", tornando as estratégias de composição dos baralhos mais densa - e mais arriscada!”
“… me impressionei com o jogo ter tantas cartas únicas. O esforço de representar tantos personagens e ao mesmo tempo estes nunca se repetirem foi FENOMENAL! Fazia tempo que um jogo não me trazia essa ‘alegria da originalidade’”.

 “Houve dúvidas nas regras, fruto talvez dessa extrema diversidade de efeitos provocados pelas cartas. E a arte peca no quesito tamanho das informações nas cartas. Realmente é tudo bem espremido em uma carta ‘standard’. Mas acho que foi algo "bancado" pelos designers: eles apostaram que a imagem das cartas contagiaria mais os jogadores do que os textos e estatísticas. Olhar a "ponte de comando" do adversário e ver que ele está com um Sulu do mundo paralelo, um Scott e um ou dois outros poderosos personagens da série é realmente terrificante!”

Após alguns meses jogando, acredito que essa será uma análise madura e pronta para oferecer ao leitor uma radiografia justa de Star Trek: TOS BDG. Durante esse tempo, pude confirmar algumas de minhas percepções, mas novos aspectos surgiram.  Tornou-se evidente a diversão que o jogo é capaz de proporcionar em curto e longo prazo. Suas limitações passaram a incomodar cada vez mais, embora alguns de seus trunfos ainda trouxeram bom gosto ao jogo.

O boardgame americano, publicado em 2012 e desenhado por Alex Bykov, é seqüência de uma aposta franca no sucesso da franquia Star Trek para a alavancagem das vendas, e foi produzido após Star Trek Building Deck: The Next Generation Premiere Edition, e é compatível com o mesmo, de modo que os dois jogos são “misturáveis”.



Descrição rápida da dinâmica de jogo

Nesse Building Deck Game, todos os jogadores começam todos com uma nave com oito pontos de vida, e um baralho inicial equivalente, com dez cartas. Elas são embaralhadas com o jogador comprando cinco de cada vez. No centro da mesa ficam abertas nove cartas do deck que alimentará os baralhos dos jogadores. Carta comprada, outra é colocada em seu lugar. Os jogadores em sua vez baixam cartas que possibilitam compras e somam seus poderes e efeitos para tentar influenciar o jogo do adversário ou realizar missões, que é o modo como se conquistam os pontos que levarão o participante à vitória.



A vitória

As missões estão representadas em outro baralho, e podem oferecer em sua realização 25, 50, 75 ou mesmo 100 pontos, além de recompensas diversas. Para cumpri-las, o jogador deve possuir nas cartas que baixou anteriormente, os requisitos específicos pedidos pela carta de missão que ele abrirá se achar que está “pronto” para tanto. Neste deck de missões, no entanto, o jogador poderá se deparar ainda com cartas de eventos e de batalha, que igualmente valem um número de pontos. Nas batalhas os demais jogadores tomam parte e baixam suas possibilidades na mesa, disputando uns com os outros a partir das várias estatísticas e dos requisitos que a batalha indica. Oferecendo um elemento estratégico ao jogo, cada oponente recebe no início do jogo 2 missões básicas (também chamadas “draft”), que poderão ser reveladas e garantir pontos e recompensas ao jogador.


A saúde da nave

Os participantes precisam administrar os pontos de vida de sua nave, que podem ser perdidos por meio de variada situações, desde o efeito de uma carta adversária ao tiro oriundo de uma nave adversária em batalha. Pontos de vida podem ser repostos, mas utilizando o mesmo sistema de pontos de cartas para o deck. Ou seja, a saúde da nave é um condicionante fundamental. A destruição acarreta da perda da mão, da vez (se for o caso) e a punição de receber uma carta básica muito fraca, que “polui” o deck do jogador.



Cenário Extra

A caixa vem com um “cenário extra”, que basicamente é um deck diferenciado de missões que a substituir parte do deck básico e as cartas de “infecção”. As missões do “Infection” são de outra natureza, e os jogadores podem considerar o cumprimento delas mais difícil. No cenário Infection não há batalhas. Em compensação, os jogadores podem contrair “infecções” (recebendo cartas de infecção), sofrendo conseqüências negativas de sua presença no jogo.
A dinâmica bastante simplificada é essa. Mas entre os sabores do jogo estão os pequenos detalhes que surgem entre as regras e não caberia detalhar agora. Na maior parte das vezes são pequenas mecânicas que adicionam elementos táticos e estratégicos ao jogo, e equilibram a relação inteligência/sorte. Entre eles, vale mencionar . A liberdade incomum com que se pode realizar os diversos tipos de ação; A maneira com que se obtém compras; Curiosos efeitos de algumas cartas; A possibilidade de excluir uma carta do deck ao abrir mão da vez; a ação que permite ao jogador modificar a Starbase; etc.


Comentários e feeling geral

Bem meus amigos, Star Trek: TOS BDG é uma bela brincadeira, com a qual pode-se passar muitas noites com os amigos. É um jogo que se resolve em cerca de meia hora por jogador, embora possa levar um pouco mais para os não familiarizados com os efeitos das cartas.

Surpreendentemente o jogo embora altamente temático não depende que seus participantes sejam “trekkers”. Na realidade, em nosso grupo dois – eu incluso – pouco conheciam da série e mesmo assim gostaram bastante. Inclusive o efeito foi o contrário. A admiração à medida em que ia conhecendo as cartas, os efeitos atribuídos aos personagens, os títulos das missões e pequenas citações artisticamente colocadas acabaram por me despertar interesse na série, e a partir daí que passei a assistir os episódios. Acabei gostando bastante. Assim ao contrário do que os trekkies com quem joguei predisseram, esse jogo não é bom só para os fãs da série.

Parte de seus méritos reside na grande quantidade de cartas com características únicas. Só de personagens temos 50, que se somam a outras 30 cartas a representar aparatos tecnológicos diversos e a 3 personagens básicos (estes sim em grande quantidade) – os sempre presentes figurantes da série. 

Dessa forma, o baralho de um jogador torna-se, sempre exclusivo, e a disputa pelas cartas tende a ser feroz. Há um aspecto viciante no aqui, relacionada a capacidade de se montar combos extraordinários, dignos de aplausos dos oponentes. Há um gostoso em podermos estar sempre inventando um jeito de seqüenciar o uso das cartas. Diferente de jogos mais “sistemáticos” como o 
Dominion, as possibilidades de montagem com tantas individualidades possibilitam que a cada jogo surjam associações novas e jogadas fantásticas.

Com tantas opções e possibilidades, o jogo pode causar a sensação, como aliás acontece de forma freqüente entre os “deck builders”, de que o jogo é excessivamente aleatório e dependente de sorte.  
 Porém, um exame mais apurado e a maior experiência de jogo demonstra que, embora o elemento sorte participe com força, ele está incrivelmente balanceado em acordo com a temática, e não ultrapassa o mérito das ações táticas e estratégicas do jogo.

Um último ponto positivo a destacar é a possibilidade de interação. Cada vez menos os jogos tem a interatividade como ponto forte, e isso faz falta para muita gente. Mas isso é algo que Star Trek: TOS DBG definitivamente consegue superar, através de certos efeitos encontrados nas cartas, das batalhas, e da facilidade de se monitorar – ao menos parcialmente – o baralho e o jogo do outro, modificando inclusive o ambiente que o próximo jogador encontrará para jogar.



O tricorder do jogo: progressão de sensações e rejogabilidade.

As primeiras sensações ao iniciar o aprendizado de Star Trek: TOS DBG é a de que estamos de fato entrando num jogo trekkie. A toda hora os jogadores pedem uns aos outros permissão para pegar uma e outra das nove cartas da Starbase afim de conhecerem seus efeitos e preverem suas compras.  Mas, para além do aspecto mecânico, há um vislumbre geral com o tema da carta, e o que ela representa. Há uma demora na percepção de que o baralho é bom o suficiente para se arriscar por missões, e isso pode tornar o jogo bastante mais lento para “começar” de fato. O novato também tende a ter menos noção do problema que as cartas “Ensign”, em geral recebidas como punição, podem representar – aqui cabe uma crítica, o jogo poderia ter a possibilidade de criação de boas estratégias com cartas aparentemente fracas, o que não acontece. Se houver batalhas estas possivelmente serão execradas. São de resolução lenta, contribuem pouco na dinâmica do jogo, fazem a mão já armadinha para entrar em jogo ser perdida. Numa primeira experiência pode-se prever que o gamer-padrão, acostumado com a ordem imposta nos tile-placement,  dirá que o jogo é mesmo caótico e talvez aleatório. Já os jogadores acostumados com ameritrash, mesmo que percebam assim farão disso um motivo para elogios! Com alguma sorte surgirão interessantes combos que desde aqui começarão a seduzir os jogadores.

Da terceira para a quarta partida os jogadores já estarão familiarizados com um número significativo de cartas, bem como os tipos de cartas missão, e o uso da mecânica geral. Por muitas outras partidas eles ainda precisarão reler textos em certas cartas. Mas é mais ou menos a partir daqui que as batalhas finalmente começam a revelar-se como elemento de equilíbrio, manutenção do tema, e mesmo diversão. Elas ainda irão se tornar mais rápidas e decididas, é claro. O jogo toma seu tempo normal aproximado por jogador. Os jogadores terão dificuldade de se contentar com apenas uma partida. 

Pode é claro surgir um ou outro no grupo que se destaquem por perceber algum aspecto novo, em relação por exemplo a maneira de compor o deck – mais enxuta, com esta ou aquela carta se combinando, etc.  

A partir da sétima partida cartas antes renegadas pelo grupo “não sei porque existem”; “jamais usaremos”;  começarão a ser exploradas de outra maneira. Surgirão combos antes impensados. Se o grupo ainda não experimentou, agora vai querer experimentar o Infections. Se já experimentou e for ousado, possivelmente vai querer misturar os dois cenários. A expansão “tribbles” tentará ser encomendada. E entre os “game moders”, a agitação por individualizar naves e criar regras mais avançadas será nítida.

Com o grupo experiente, jogar Star Trek DBG começa a se parecer com jogar canastra ou similar. Não é um filler, mas também não é um estratégico. É daqueles jogos gostosos, que pode-se jogar a vida inteira num encontro mensal com os mesmos velhos amigos, e na verdade é mais pretexto para estar junto do que passa tempo frita-miolos. Sob esse sentido, acho que Bykov reinventou o famoso jogo de compadre.

E é por isso mesmo que, por mais divertido que seja, um dia o grupo gamer decide abandonar para sempre o jogo, seguir com sua vida de testar lançamentos, e jogar poucas vezes uma quantidade interminável de jogos maravilhosos.
Um dia, quem sabe alguns desse mesmo grupo se perguntarão: “como foi que conseguimos jogar tantas vezes?”, e a indagação soará com um misto de deboche, saudade enrustida e medo de colocar o jogo na mesa e começar tudo de novo. J


Número ideal de jogadores

Star Trek: TOS DBG foi pensado para 2-4 jogadores. Mas há pouca chance do jogo funcionar bem com duas pessoas. Embora pareça mais estratégico, já que não há muita gente que possa mexer com o panorama do jogo – o que permite alguma previsão – o desequilíbrio em geral acontece quando se completa uma missão. Podem vir recompensas que trazem vantagem grande, e assim o jogador “mais rápido” dispara “para sempre” numa contagem de pontos e montagem de mão. Com quatro teremos o equilíbrio perfeito do “gangue contra o líder”. O jogo passa a ser tático. É mais comum todos os jogadores chegarem no fim do jogo com muitos pontos. Com três esse efeito é amortizado, mas resolve uma certa lentidão que é comum no jogo com quatro pessoas.


Problemas na produção comprometem

O que a excelente caixa do jogo oferece em qualidade e beleza, as divisórias internas, feitas em papelão cru, enfraquecem o impacto de abrir o jogo pela primeira vez. As cartas, do tipo encerado, são frágeis e dependem de sleeves para sobreviver.

O manual é um festival de erros, e certamente afastará jogadores que se deparam com tamanha inconsistência. Dá para ver que ele foi pensado como um manual predominantemente visual, um manual para pessoas do século XXI. . Mas um jogo com tantos detalhes ainda precisa de mais texto, e que esses sejam mais bem ordenados e detalhados. Há erros graves nas instruções visuais do jogo, como a carta de missão disposta entre as cartas da Starbase; Já nos textos, o uso de um efeito como exemplo que não poderia ser encontrado no jogo – infelizmente, parece-me possível que parte das regras tenham sido adaptadas a partir do manual do Star Trek: TNG BDG. O manual realmente é um ponto tão fraco do jogo que nem um F.A.Q. lançado posteriormente foi suficiente para tornar as regras do jogo claras para os interessados.

A arte das cartas é bela, embora um pouco confusa. As imagens escolhidas, contudo, são fotos das mais comuns que se encontram em circulação pela Internet, o que oferece uma ideia de que a pesquisa e investimento em algo mais exclusivo ou trabalhado inexistiu. O texto dos efeitos é muito pequeno e falha na legibilidade. O valor de suas estatísticas poderia ser igualmente mais bem feito. Mas o pior é a redação, que permite uma série de ambigüidades e é responsável pelo maior número de dúvidas em relação aos efeitos das cartas. Como se não bastasse, a arte contém erros que comprometem a dinâmica de jogo. Por exemplo, na “Robert Fox” mais um importante erro: segundo confirmou o designer Bykov em fórum da BGG, a carta deveria pertencer a categoria “Personagem – Federação”, diferente do que está lá.

Jamais pude encontrar uma reunião tão grande de falhas de produção, e garanto que muitos jogadores se afastaram de Star Trek DBG em função disso. Os reviewers também não podiam ir longe. Alguns, de peso como Tom Vasel simplesmente não captaram o jogo em uma ou duas experiências, e sem dúvida essa má impressão inicial que o material estudado lhes oferece contribuíram para o jogo ter sido bastante criticado. Realmente gostaria de saber se houve pressa para aproveitar as vendas em uma data como Natal, ou alguma efeméride ligada a franquia Star Trek, ou ainda se os demais produtos da Bandai Cardgames sofrem desse mesmo tipo de displicência geral.

Palavras finais

Quem gosta de liberdade, variação, poderes exclusivos por jogador e deck building vai adorar esse jogo. Que gosta de jogos mais estruturados tem chance de curtir ou não. Os trekkies vão amar a bem feita homenagem à série e as interessantes correlações carta-tema, mas poderão odiar ver seus adversários reunirem Khan, Uhura e um Klingom para cumprir uma missão no espaço.

 O incontestável talvez seja de que Star Trek: The Original Series Deck Building Game não é um jogo qualquer, e dispara opiniões e emoções das mais diversas – bem ao espírito das aventuras da Enterprise e sua tripulação tão cheia de personalidade.

Os que se aventurarem por esse jogo, certamente, irão onde nenhum homem jamais esteve.


NOTAS GERAIS:
(*pouca/fraca; ** média; *** muita/forte)

SORTE **
ESTRATÉGIA ** (reduz quanto maior o número de jogadores)
TÁTICA **
PESO **
REJOGABILIDADE ***
SINTONIA TEMA x MECÂNICA ***
MANUAL *
ARTE **
QUALIDADE DA CAIXA E COMPONENTES **


***
Arnaldo V. Carvalho é terapeuta, adora jogos e com esse texto inicia-se pelo mundo desafiador das resenhas.

28 de abr. de 2013

[ENTREVISTA] Alex Bykov - Bandai

O canivete suíço da Bandai

O versátil game designer Alex Bykov fala sobre 
Star Trek: The Original Series Building Deck Game 
e sua trajetória na Bandai 


Por Arnaldo V. Carvalho

O perfil de um game designer é o de trabalhar de forma independente ou Freelance. Alex Bykov é diferente. Ele é um funcionário contratado, e trabalha exclusivamente para a divisão de card games da Bandai - a terceira maior fabricante de brinquedos do mundo. Onde ela decide investir, lá está ele, o canivete suíço, com suas ideias e trabalho duro. Bykov mostra, nessa entrevista, e sua fala sempre no "nós", que veste a camisa, sabe trabalhar em equipe e jogar para o time. Sem dúvida, vemos aqui uma maneira peculiar de criar jogos, em relação ao que se vê no mundo dos jogos de cartas e tabuleiro modernos. Conheça mais sobre esse interessante processo de criação, e descubra detalhes exclusivos sobre Star Trek: The Original Series BDG e a personalidade do designer por trás do jogo. Com vocês, Alex Bykov!



DB) Trekker, certo?
Surpreendentemente eu nunca me interessei por Star Trek quando fui selecionado para desenhar este jogo. Desde então eu assisti todos os files e vários episódios do seriado, para ajudar-me a entender o ambiente, e desde então eu curti a beça. Felizmente um de meus colaboradores e amigos é um super Trekkie então ele me ajudou muito a dar o sabor do jogo e garantir que ele seria amado pelos Trekkies.  

DB) De onde surgiu a ideia da criação do jogo?

Bykov - Estávamos buscando por uma grande marca que estivesse disponível e então nos deparamos com Star Trek. Um de nossos designers era um grande fã do Star Trek então ele deu o empurrão para isso. Uma vez que nós decidimos pelo Star Trek então todos nós começamos a desenhar nossas próprias ideias a respeito de como o jogo deveria se parecer, e a minha foi escolhida tanto internamente como por testadores externos. Ela evoluiu a partir daí. 
DB) Um dos aspectos mais satisfatórios em Star Trek: TOS BD é o cuidado que foi tomado para tornar cada carta temática em seus efeitos, o que é aparente aos fãs da série. Conte para a gente sobre o processo de design por trás desse aspecto. Por exemplo, você tomava notas enquanto assistia os episódios de TOS com a intenção de criar cada uma das cartas?
Bykov - Uma vez que decidíamos o que ou quem estaria numa carta, então pesquisávamos sobre ela nos episódios e online, e então decidíamos que texto encaixaria melhor na carta e bateria com o tema.  

DB) E quanto as estatísticas e escolha de que personagens secundários entrariam? 
Bykov - As estatísticas foram balanceadas de acordo com o tempero (características) do personagem bem como os temas que nós queriamos que existissem no jogo. Os personagens secundários foram escolhidos de acordo com sua popularidade na série, bem como sua presença (participação). Como alguns dos personagens que nós inicialmente queríamos não estariam disponíveis para o jogo, nós tentamos dar nosso melhor para incluir tantos personagens conhecidos como pudessemos. 

DB) Trazer velhos inimigos numa mesma ponte de comando. Esse tipo de contradição temática pode ter representado um problema no momento do design? Conte para nós sobre possíveis conflitos tema x mecânica que você encontrou no processo de criação.  

Bykov - Star Trek não é uma série simples, ela é bastante profunda então nós quisemos um pouco dessa complexidade no jogo. Nós queríamos que o jogo representasse esse aspecto apropriadamente; todavia, é um jogo e ele não pode ser tão complexo ao ponto de assustar novos jogadores. Enquanto nós considerávamos fazer mais regras para manter as pontes do Show equiparadas ao que você poderia assistir na TV, nós decidimos que o jogo interpreta o show mais do que simplesmente replica os eventos da série. Então, enquanto Kirk e Khan podem nunca ter trabalhado juntos na série, nas situações mais extremas poderíamos imaginar que eles poderiam possivelmente trabalhar juntos se um mal maior surgisse. 
  
Enfim, nós decidimos que seria ok nos movermos além dos limites do seriado, e imaginar que algumas coisas poderiam acontecer mesmo que não tivessem sido retratadas nos episódios. Tivemos ideias sobre como restringir personagens para não misturar com outros personagens incomumente casáveis mas nós sentimos que isso ia ser muito complicado e criaria um monte de regras e restrições sobre quem pode estar com quem. 

DB) Pike e Number One não são personagens da tripulação regular de Star Trek, sendo de uma geração anterior substituida por Kirk, Spock e Cia. Eles estavam planejados para ser parte das cartas desde que o projeto do jogo começou?

Bykov - Sim, nós quisemos incluí-los porque eles foram os primeiros e sentimos que nós deveríamos tentar representa-los no jogo. Eles podem não ser os mais queridos, mas se não fosse por eles, então o show talvez não existisse. 
DB) Você conhece alguem que coloca Palmer (a carta do personagem) em seu deck? 
Bykov - Nem sempre ela vai ser a escolha número um, mas as vezes você tem que dar aos personagens uma chance e eles podem surpreender você. 
DB) QUal é a versão favorita dos Star Trek Building Deck que vocês já produziram?

Bykov - Eu gosto do primeiro jogo lançado, The Next Generation Premiere Edition. Eu sempre amei o Cenário Borg nesse jogo e o fato de haver três grandes maneiras de se jogar. 
DB) Há algum tipo de expansão a caminho? Se sim, ela vai incluir apenas novos personagens e missões ou também novas variações do jogo como a das infecções encontradas no core set?"
Bykov - Não temos nada anunciado até aqui. 

Bykov ao centro com a equipe Bandai
DB) Você trabalha exclusivamente para a Bandai? Conte um pouco para a gente sobre a companhia, sua história e sua relação com ela. 

Bykov - Sim, atualmente trabalho exclusivamente na Bandai. Eu comecei na Bandai como um tester com o Dragonball CCG porque eu era fanático pelo Dragonball. Meu papel depois cresceu para My role later increase to R&D onde eu me envolvi com Naruto CCG, Battle Spirits TCG, e outros projetos de cartas. Eu fiquei muito empolgado em mover para o campo dos  Card/Board Game quando nós decidimos desenvolver esses jogos. Eu ajudei com o Resident Evil DBG e quando chegou o momento de fazer um Star Trek DBG, eu tive sorte suficiente de ter meu design selecionado. Desde então eu tenho trabalhado em todos os Star Trek DBG’s, bem como dado minha colaboração em nossos outros projetos R&D. Eu vim com um histórico em ciência da computação, então eu também tomei papel como líder em vários dos websites e páginas em redes sociais que nós temos para nossos jogos. Eu estou na Bandai há quatro anos e estou feliz com o quão longe já fui. 
DB) Quanto tempo levou na fase de teste?
Bykov - Nós testamos o jogo por vários meses dentro de casa e tinhamos alguns grupos de teste em outros estados experimentando o jogo nesse mesmo tempo.
DB) Quem foi o responsável pela arte do jogo? Você teve alguma interferência nessa área? 
Bykov - Para as cartas em si, nós escolhemos a arte dos episódios da TV, e temos um designer gráfico fantástico que criou as cartas a partir daí e desenvolveu a caixa e o manual inspirado no estilo dos guias de Star Trek. 
DB) Os compradores do jogo são compostos principalmente de gamers, trekkers ou o que? Isso corresponde com suas expectativas? 

Bykov - Muitos consumidores tem algum amor por Star Trek mas o jogo é desenhado para ser curtido por qualquer um que simplesmente curta jogos de tabuleiro. 
DB) Você se apresenta no site da Bandai com a frase: "o canivete suíço dos empregados, pia da cozinha e tudo mais". Você pode nos contar mais sobre isso?

Bykov  - Eu amo aprender novas habilidades e tentar a minha mão em qualquer coisa que surja no meu caminho.  Eu gosto de pensar que posso me adaptar a qualquer situação e consertar qualquer problemas que encontramos. 

DB) "Bykov". Você tem a mesma origem russa do Chekov? Algum carinho especial pelo personagem? :)

Bykov - Sim, venho de uma família de origem russa, então eu compartilho isso com Chekov. Mas eu não tenho aquele acento maneiro que ele tem. 
DB) Você já conhece o Brasil? Qual é a sua impressão?
Bykov - Eu não posso dizer que conheço muito do Brasil, mas fico muito feliz de saber que meu jogo está indo tão longe e há por aí fãs que gostam do jogo tanto quanto eu. 

DB) Então mande uma mensagem para nossa comunidade e todos os seus fãs no Brasil! 

Bykov - Só quero agradecer a todos que curtiram os Star Trek Deck Building Games, eu realmente torço que tenha feito algo que traga diversão as pessoas que os joguem. Obrigado por apoiar o jogo. 
Rápidas
Nome completo: Alex Bykov
Idade: 28
Apelido de infância: Goku (contudo ninguém de verdade me chamava assim, mas eu mesmo sim!)
Jogo favorito (criação própria) : Star Trek TNG Premiere
Jogo favorito (em geral): Eu curto o Carcassone no meu telefone.
Comida favorita: Jamba Juice Smoothie
Personagem Star Trek favorito: Kirk
Carta favorite do Star Trek: TOS DBC: Spock do mal
Alex Bykov ST_TOS Building Deck Card: (coloque aqui as estatísticas e o efeito se você fosse uma carta de personagem do jogo!):  10 | 10 | 10 | 10  - Sou invencível! 



***

Arnaldo “Arnie” Carvalho, 37 anos, é terapeuta e boardgamer, criador do Niterói das Peças. 

26 de fev. de 2013

23º, 24º e 25º Arariboards

Fevereiro, mês de samba e carnaval, mas em Nikity também rolou jogatina.

  23º Arariboard (03/02/13)                                                                                                                     

Abrindo o mês, tivemos a volta do que não foi, Eduardo, mais exporádico do que nunca. Bem-vindo de volta, Edu! E a visita do André, do Rio, além dos já tradicionais Fabrício, Brito, Graça e eu. 

Começamos com uma partida leve, mas nem por isso menos tensa, de Dixit, jogo que vem pondo a prova a sanidade dos gamers mais estratégicos (vocês precisam relaxar pra jogar isso!).



Fab está se consolidando como campeão dos coelhinhos, enquanto o restante da galera come poeira!

Colocação:
Fab 31 pontos
Andre 27 pontos
Draça e Rê 21 pontos
Brito 20 pontos
Edu 11 pontos

Tive que abandonar a trupe cedo, mas eles continuaram com Small World, com o tabuleiro diferente, modular, do Realms para cinco jogadores, que consumiu um bom tempo de setup.  

Colocação:
Eduardo: 53 pontos
Graça: 52 pontos
André: 51 pontos
Brito: 51 pontos
Fabrício: 46 pontos
Márcio: 42 pontos


  24º Arariboard (17/02/13)                                                                                                                     

Pausa pro carnaval, porque ninguém é de ferro e também quero sambar, o último sábado foi ainda com reflexo de feriado. Na casa, apenas eu e Fab, e aproveitamos pra apresentar jogos um para o outro.

Começamos com minha última aquisição, lançamento lindinho da última Essen, Seasons!

Durante 12 estações, os magos competem para ser o Grande Mago de Xidit. Devem conseguir energias e converter em cristais que serão os pontos de vitória. O jogo usa dados temáticos para determinar as ações de cada jogador, que podem ainda, usar cartas especiais para aprimorar sua jogada.

E são as cartas que mudam tudo. Fab saiu na frente me fazendo comer cristais mágicos por quase todo o jogo. Penei pra conseguir baixar minhas cartas, mas quando o fiz, foi o meu melhor combo: desconto para baixar cartas e ainda ganhava tokens de energia ao fazê-lo. Com isso, consegui um bom estoque de energia, que depois pude transmutar com valor superior graças a duas outras cartinhas mágicas. 
Assim, consegui recuperar as léguas de distância que o Fab já havia conseguido impor. Mas ele também tinha seus truques na manga. Com duas cartas ele matou o jogo, numa contagem ponto a ponto emocionante. A primeira foi um golpe de sorte, conseguiu baixar DE GRAÇA a carta que concede 30 cristais  e no final, sua última cartada foram mais 20 cristais por ter uma carta a mais do que eu. 


Ótima partida, jogo bem recebido e espero vê-lo em breve em outra joga do Arari.


Colocação:
Fabrício 226 pontos
Renata 212 pontos



Em seguida, foi a vez do Fab me apresentar o Pandemic. Foi uma grata surpresa, apesar de ficar tensa do início ao fim, gostei do bichinho.

A primeira partida parecia correr normalmente, com as doenças se proliferando em todos os continentes, mas eu e Fab divididos conseguindo contê-las. Chegamos a curar 3 das 4 doenças! O jogo parecia sob controle, mas não contávamos com 2 epidemias quase seguidas que dispararam uma série de outbreaks que nos fizeram perder a partida. :(


1a. partida: epidemias em todo o mundo.

Como tinha sido relativamente rápida, uns 40 minutos, pedi pra jogarmos outra. Esse jogo é daqueles que você, mesmo tomando porrada direto, quer voltar e apanhar de novo! Toda confiante, já entendendo como funciona, e SE ACHANDO pronta pra vencer, partimos!

Impressionante como foi uma partida completamente diferente da primeira. As doenças pareciam se concentrar apenas na Europa com surtos na Ásia. Tentamos nos dividir como antes, mas foi em vão. Precisamos correr os dois para a Europa, pois Paris parecia reviver seus tempos de peste e espalhando virus para todos os cantos do continente! Numa sucessão SURREAL, conseguimos bater o recorde de desparar 10 outbreaks, não curamos nenhuma doença e tudo isso em apenas 20 minutos de jogo!

2a e mais terrível partida: destruídos pela Europa x__X"
Incrível! Acho que esse foi um dos poucos jogos que me motivou tanto por perder! Apesar de ter um design bem simples e pouco atrativo, sua inteligência artificial funciona de maneira exemplar, dando uma grande rejogabilidade e um desafio constante aos jogadores.




  25º Arariboard (24/02/13)                                                                                                                     

Dia histórico no Arariboard pra fecharmos o mês bonito! Na primeira parte da tarde, Fabrício comandou a galera (Márcio, Michael, Nandes e Letícia - convidados especiais) na batalha dos monstros japoneses.

Foram duas partidas de King of Tokyo: na primeira, Márcio garantiu a vitória após morrer e dar a luz a um bebê que veio vingar a morte do pai! Com a proeza de vencer com 0 pontos!
Na segunda, Nandes comandou seu monstro à vitória, mostrando que convidado especial também tem vez e faz bonito!

Letícia e Nandes, o rei de Tóquio.

Cheguei a tempo de ver essa vitória e dividimos as mesas. Sim, o Arariboard deixou de ser um grupinho excluido no cantinho do Jambeiro, e agora ocupamos duas mesas! #umdiaagentechegala

Eu puxei uma partida de Seasons com Mike e Nandes. Letícia preferiu acompanhar só, enquanto Fab e Márcio jogavam Lost Cities.

Os meninos pegaram rápido o jeito do jogo, e Nandes começou invocando várias cartas especiais. Mike sofreu no início sem conseguir aumentar seu poder de invocação, enquanto eu estava conseguindo manter um bom equilíbrio. No meio da partida, consegui finalmente fazer uma boa jogada e pontuar 36 cristais, mas minha alegria não durou cinco segundos, pois em seguida, Mike encaixou umas quatro jogadas em sequência, marcando 20 pontos no mínimo em cada uma delas.
O último ano foi bem mais disputado, e nesse ponto, a experiência de já ter jogado fez uma pouco de diferença. Nandes visivelmente ia fazer uma bela jogada final que me jogaria pra última colocação, então, usei a carta da bota pra avançar o contador de tempo e terminar o jogo uma rodada antes.

Na contagem final, Mike disparou no contador, tentei persegui-lo, mas não deu. E aquela rodada que pulamos fez mesmo diferença pro Nandes. Mas ambos estão de parabéns, jogaram bem a beça.

Colocação:
Michael 185 pontos
Renata 175 pontos
Nandes 122 pontos




Arnie chegou logo que começamos, e juntou-se ao meninos revesando Lost Cities.

Nas duas primeiras, Fab duelou com Márcio na busca pelos tesouros e levou a melhor. Na última, Márcio e Arnaldo travaram o combate, com vitória pro primeiro.

Placar:
Fab 2 vitórias
Márcio 1 vitória
Arnie 0 vitória

Quando terminamos nossa mesa, os meninos começavam uma partida do jogo mais viciante do momento, o super temático deck building Star Trek DKB, que se tornou uma obsessão pra esses três ultimamente. Nós os deixamos imersos no espaço sideral (porque tinha que ir assistir ao Oscar, claro!).

Capitão Fabrício, Comandante Márcio e Doutor Arnaldo. 

Eu sabia que não iam se contentar com uma partidinha apenas, e realmente, encararam duas disputas no melhor estilo treker. Marcinho levou as duas! [espero que não tenham colocado vcs pra fora a vassouradas].


Excelente mês de jogas, com visitas importantes, retorno do Edu e do Mike, o grupo aumentando com novos membros Márcio e Arnanldo, e sempre com visitas ilustras. Continuemos assim e que venha Março!
Inté. ;)