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17 de abr. de 2014

[ENTREVISTA] Fel Barros - WARZOO

A revolução dos bichos chegou aos jogos de tabuleiro e já é o maior fenômeno do financiamento coletivo nacional





Esta semana entrou no ar o projeto Warzoo, jogo de cartas para 2 ou 4 pessoas que defendem uma facção, dos porcos ou ornitorrincos, numa batalha épica parodiando a "Revolução dos Bichos", obra prima literária de George Orwell.


Com apenas poucas horas no Catarse, principal site nacional de financiamento coletivo, o projeto atingiu sua 1ª meta garantindo seu financiamento. Daqui até o dia 10 de maio, é continuar arrecadando fundos para produzir as metas estendidas, mais cartas especiais para o jogo. 

http://catarse.me/pt/warzoo


Algumas cartas, via "compartilhamentos" no Facebook já estão entrando no ar.
A primeira, do Wargroo (adorei!) já está disponível. Já o primeiro trio de metas estendidas, os Sapos, também já está garantido.









Este é um projeto de um poderoso trio de amigos, que estamos acostumados a encontrar nas jogatinas, mas que passaram agora ao patamar de autores: Fel Barros (autor), Marcelo "Groo" (designer) e Daniel Araújo (ilustrador).

Entrevistamos o autor para saber todos os detalhes por trás do jogo, e a história ficou bem interessante! CONFIRA NO VIDEO ABAIXO como surgiu o jogo, todas as influências, a escolha das mecânicas e um pouco mais sobre o trio que vai dar trabalho. (E a nova vinheta do Desbussolados ^_^)

Clique em configurações para assistir em HD.

Para encerrar o bate papo, que além de Warzoo teve um belo canelone, literatura, minions, não podia faltar, claro, o top 10 do Fel, o gente boa das peças!

TOP 10 FEL BARROS:
#1: Imperial
#2: Chicago Express
#3: Puerto Rico
#4: Planet Steam (ex top #1)
#5: Dungeon Lords
#6: Goa
#7: Tikal
#8: Antiquity
#9: Twilight Imperium (Third Edition)
#10: Terra Mystica

10 de set. de 2013

[ENTREVISTA] Papaya Editora - Butim


 Há exatos 10 anos atrás, Luiz Grimuza e Igor Larsen Soares se conheceram, e através de Bang, Iluminati e Catan foram abduzidos para o mundo dos jogos de tabuleiro modernos! Não demorou muito pro hobby virar paixão e dela surgir o desejo de se montar uma editora nacional. Apenas dois anos depois, em 2005, nasciam os embriões do que hoje é a Papaya Editora.






[Desbussolados] - Como se deu a criação da Papaya Editora?
[Luiz] Assim que começamos a jogar ficamos enlouquecidos e começamos a importar jogos. O próximo passo foi começar a criar nossos próprios jogos. Obviamente, os primeiros não eram muito bons e tinham muitos problemas na mecânica. Nosso primeiro jogo que ficou bom foi o Falcatrua, que ainda pretendemos lançar no futuro. Começamos então a procurar gráficas que fossem boas e descobrimos que não só as gráficas não estavam preparadas como o custo para uma tiragem inicial era proibitivo. Este problema, aliado pelo fato de não existir canais direcionados a este hobby fez com que a Papaya Editora fosse adiada.


Luiz Grimuza (esq) e Igor Larsen (dir) fundadores da Papaya Editora.

[DB] - Qual será o perfil de publicações da Papaya?
A Papaya está aberta a parcerias e em breve anunciaremos algumas. Fazemos jogos próprios como é o caso do Butim que foi criado por Igor Larsen (sócio da Papaya) e do Ramsés Sohn, mas não estamos limitados apenas a jogos nossos. Estamos estudando jogos de vários autores nacionais e estudando o desenvolvimento de jogos para algumas franquias de livros. 

Os próximos passos da Papaya incluem editar no Brasil jogos consagrados no exterior e futuramente levar para os EUA nossos jogos nacionais. Pretendemos fazer isto sem deixar de editar jogos de autores nacionais, portanto se você faz jogos ou conhece alguém que faça entre em contato conosco. Ficaremos felizes em conhecer o seu jogo.



[DB] - Butim foi o trabalho inaugural e já é um sucesso no financiamento coletivo, tendo atingido o objetivo inicial em um mês. Quanto tempo vocês levaram para desenvolver o projeto, desde a concepção até a produção?
A concepção e criação do Butim começou em setembro de 2012. Diversos playtests e alterações foram feitas desde lá. Ainda hoje temos idéias de novas cartas e mecânicas em forma de expansões para o jogo. Durante a sua concepção o Butim passou pela mão de mais de 500 pessoas.

[DB] – E nesse caminho, quais foram as maiores dificuldades de produção de um jogo no Brasil que vocês encontraram?
A maior dificuldade é conseguir qualidade no Brasil. Os preços ainda são muito altos para tiragens pequenas e é muito complicado entrar em um mercado de nicho onde os consumidores estão acostumados com a qualidade de produtos importados feitos na Alemanha, Estados Unidos e China.

Infelizmente, nossas gráficas não estão preparadas para fazer produtos da mesma qualidade.  Mas nos últimos anos, a situação melhorou muito e agora podemos fazer produtos que cheguem bem perto em qualidade gráfica.

Claro que também temos dificuldades de logística, pois o Brasil é um país enorme; dificuldades de marketing, pois o nicho ainda é muito pequeno; distribuição em lojas que possam vender fora do nicho é praticamente inexistente ou então faz com que recebamos quase nada por cópia vendida, entre outros muitos problemas.

Por fim, acredito que como em toda área da indústria e comércio, o maior vilão seja a carga tributária. Mas não podemos deixar de pagar para que os políticos tenha as suas regalias não é mesmo? :)

[DB] - Como é o processo de criação? Quem são os autores dos novos projetos?
O processo de criação muda radicalmente de autor para autor. Eu (Luiz) sempre uso lápis e papel e sempre começo com algum conceito básico de tema e funcionamento, desta maneira posso inventar mecânicas que representem algum subset da realidade (ou fantasia) que estou tentando transformar em jogo.

Acho que o Igor trabalha de forma parecida, mas ele costuma dispensar o uso do papel e fazer tudo na cabeça dele.

[DB] - Como foi a parceria com Ramsés Sohn e Paulo Kielwagen?
[Igor] - Antiga, com os dois, com certeza. Primeiro conheci o Paulo (designer do Butim), quando morei em Joinville, depois conheci o Ramsés (co-autor de Butim) logo quando vim para Curitiba há dez anos atrás. Os dois são pessoas de muito talento e em tudo que se dedicam vira ouro!  
[DB] - Quais os próximos projetos em vista?
Por enquanto estamos negociando com alguns autores e temos muitos jogos interessantes mas que não podemos anunciar. Um dos próximos jogos com certeza será o Falcatrua, que é um jogo de malandragem política bem divertido. Estamos ainda em fase de estudos de viabilidade com alguns jogos de tabuleiros e cartas. Espere notícias nos próximos meses.  


Enquanto isso, o financiamento coletivo do BUTIM segue em andamento no Catarse. Se você ainda não está participando, tem até o dia 20 de setembro pra fazê-lo!

O projeto prevê vários brindes e componentes especiais, que vão de bússolas a pedras semipreciosas, e até mesmo um baú de madeira para acondicionar o jogo. Entre as estratégias de divulgação, vale frisar a parceria com o Runicards da Kalango Analógico (outro grande sucesso do financiamento coletivo) e as cartas extras ganhas através do Facebook.

Ficou curioso? Confira a dupla de capitães do mar, Luiz e Igor, falando mais sobre o jogo na página do Catarse.

21 de abr. de 2013

[Financiamento Coletivo] Cook-off

Por que eu financiei o Cook-off

Por Arnaldo V. Carvalho

Há algumas semanas atrás ajudei um jogo de cartas a ser lançado no mercado. O jogo é uma brincadeira que gira em torno de um concurso fictício de culinária onde participam chefs caricatos e trapaceiros. Os jogadores montam suas receitas e sabotam as receitas alheias.



O jogo é belo, irônico, divertido, interativo – um belo presente para um amigo gourmet ou gourmand, para uma família que gosta de estar junto, ou quem sabe um conhecido que pretende fazer uma viagem de trem pela Itália ou outro centro gastronômico mundial. Um jogo a casar com uma boa tábua de queijos e um vinho de qualidade junto a bons amigos. Uma brincadeira a envolver o avô, os tios e sogros com os pais dos bebês que dormem no carrinho próximo aos sofás da sala onde todos riem.

Todavia, os amantes de jogos de tabuleiro – que movimentam um crescente mercado voltado a um exigente público adulto de média-alta condição socioeconômica - parecem não ter se empolgado em promover o lançamento do Cook-Off. Acredito que o tema (culinária) e o perfil levíssimo (filler) do jogo não favoreceu. E assim, até o fechamento desta matéria, o financiamento coletivo ainda estava longe de atingir sua meta.

Naturalmente, a Funbox está aprendendo muito com essa primeira iniciativa, e talvez o grande equívoco relacionado ao marketing de captação seja a estratégia de divulgação. Minha percepção é que ela se restringe demais aos nichos gamers, e os gamers querem jogos mais estratégicos, querem jogos mais euro, e querem Best-sellers. Até certa medida, o Cook-off ainda foi “atrapalhado” por esse meio ao ser promovido quase junto ao lançamento da versão nacional do Munchkin, com quem compartilha algumas características (divertida troca de implicâncias entre os jogadores). E finalmente, há a concorrência por patrocínio, onde disputam diversos títulos nacionais e internacionais que visam ser publicados através do sistema de crowd funding.

Se fosse um gamer típico, também não sei se curtiria tanto o tema do jogo. Possivelmente, não investiria o valor estimado (cerca de R$75,00) no Cook-off se o encontrasse numa prateleira da Ri Happy ou a venda no Mercado Livre. Mas acho que há bons motivos para a comunidade inteira participar do financiamento coletivo do primeiro jogo da Funbox.

Primeiro que prestigia o jogo nacional de qualidade – e disso ninguém duvida, a arte é primorosa e estou certo de que o acabamento dos componentes seguirá essa linha. Segundo que o financiamento pode ser até mesmo de R$5,00, o que não mata ninguém. Terceiro, colabora para o nascimento de uma nova fabricante de jogos que se somará a Galápagos e Devir e como a fornecedora de jogos com qualidade internacional oferecidos – a Funbox.

É bom frisar que outros financiamentos coletivos de jogos nacionais, alguns bastante interessantes por sinal, são medidas igualmente apoiáveis. Mas são iniciativas independentes, e não lançamentos capaz de alavancar outros, feitos por uma empresa com planejamento de lançamentos sistemáticos em longo prazo. Cook-off não é o sonho de uma pessoa que quis ver seu jogo publicado, mas o sonho de um grupo que quer oferecer a chance de ver muitos desses sonhos publicados.

Reclamamos tanto e durante tantos anos do parco desenvolvimento do mercado nacional, e quando ele finalmente lança suas sementes, não oferecemos a cobertura necessária para ele vingar no solo brasileiro.

Nos jogos, como nos livros e filmes, parece que o brasileiro tem preconceito contra si mesmo. Prefere sempre o importado, seus olhos se acostumaram a acreditar que o que vem de fora é sempre melhor. Sabemos que não é assim. Vejo isso no Recicle, que é sempre bem comentado mas nunca jogado. O primoroso trabalho de Luish felizmente soube ser vendido, aproveitando o tema e participando de campanhas de interesse público. Mas os amantes de jogos mesmo são monótonos: “o jogo é muito bom”. E lá fica ele na prateleira.

Em alguns meses, eu terei  o orgulho de receber a caixa autografada do Cook-off. Financiei o primeiro do que será uma grande (em qualidade e quiçá quantidade) coleção de jogos a ser disponibilizada pela Funbox no próximo ano. E possivelmente, vez por outra, olharei para a estimada caixinha e pensarei: “O primeiro Funbox game a gente nunca esquece”.

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Site do financiamento: http://funbox.com.br/thecookoff/
Término: 27/04/13
Designer : Luis Francisco
Artista: Marcelo Bissoli e Luis Francisco
Publisher: FunBox Jogos
Nº de jogadores: 4 a 6
Duração: 40 minutos
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Arnie Carvalho é um Polímata dedicado ao maravilhoso engenho do Homo ludens.