17 de abr. de 2014

[ENTREVISTA] Fel Barros - WARZOO

A revolução dos bichos chegou aos jogos de tabuleiro e já é o maior fenômeno do financiamento coletivo nacional





Esta semana entrou no ar o projeto Warzoo, jogo de cartas para 2 ou 4 pessoas que defendem uma facção, dos porcos ou ornitorrincos, numa batalha épica parodiando a "Revolução dos Bichos", obra prima literária de George Orwell.


Com apenas poucas horas no Catarse, principal site nacional de financiamento coletivo, o projeto atingiu sua 1ª meta garantindo seu financiamento. Daqui até o dia 10 de maio, é continuar arrecadando fundos para produzir as metas estendidas, mais cartas especiais para o jogo. 

http://catarse.me/pt/warzoo


Algumas cartas, via "compartilhamentos" no Facebook já estão entrando no ar.
A primeira, do Wargroo (adorei!) já está disponível. Já o primeiro trio de metas estendidas, os Sapos, também já está garantido.









Este é um projeto de um poderoso trio de amigos, que estamos acostumados a encontrar nas jogatinas, mas que passaram agora ao patamar de autores: Fel Barros (autor), Marcelo "Groo" (designer) e Daniel Araújo (ilustrador).

Entrevistamos o autor para saber todos os detalhes por trás do jogo, e a história ficou bem interessante! CONFIRA NO VIDEO ABAIXO como surgiu o jogo, todas as influências, a escolha das mecânicas e um pouco mais sobre o trio que vai dar trabalho. (E a nova vinheta do Desbussolados ^_^)

Clique em configurações para assistir em HD.

Para encerrar o bate papo, que além de Warzoo teve um belo canelone, literatura, minions, não podia faltar, claro, o top 10 do Fel, o gente boa das peças!

TOP 10 FEL BARROS:
#1: Imperial
#2: Chicago Express
#3: Puerto Rico
#4: Planet Steam (ex top #1)
#5: Dungeon Lords
#6: Goa
#7: Tikal
#8: Antiquity
#9: Twilight Imperium (Third Edition)
#10: Terra Mystica

EUPHORIA: BUILD A BETTER DYSTOPIA


 Num mundo pós-apocalíptico, surge uma nova Ordem Mundial, mas o que ela pretende é só aumentar a distância entre os trabalhadores e a elite, numa inversão aos do socialismo utópico.

Objetivo: conseguir ser o primeiro a alocar suas 10 estrelas no jogo.





Componentes:
90 cartas
1 tabuleiro
24 dados de trabalhadores
94 tokens diversos
111 tiles diversos
1 livro de regras

Caprichadíssimos! Euphoria traz um apuro técnico e lúdico de nos encher os olhos! Desde o básico, tabuleiro, cartas e manual de regras, nos chamam a atenção os tokens especiais (via Kickstarter), da pedra à barra de ouro (de metal) aos itens básicos, todos personalizados. Um luxo!

O jogo:
Euphoria é um jogo de alocação de dados e set colection, num encadeamento de ações que vão desde produzir recursos e matérias primas até a criação de mercados e indústrias. A temática política fica por conta de um sistema de equilíbrio do jogo que controla a consciência inteligente da população até a sua total ignorância. Afinal, para a elite euphoriana, quanto mais o povo trabalhador for ignorante, melhor. Sim, este é um jogo politicamente incorreto, mas bastante parecido com a nossa infeliz realidade.

arte base do tabuleiro

As ações são simples, complexo é conseguir chegar ao objetivo antes dos adversários.
A primeira metade do jogo é bastante apertada, as ações parecem não levar a um futuro promissor, mas é apenas o tempo dos jogadores se abastecerem com recursos. Assim que o primeiro jogador abre o mercado de construções o jogo aquece, e torna-se uma corrida pelos melhores locais. Não tem como fugir das contas e do planejamento de jogadas, pois, com tão poucos “trabalhadores”, é preciso otimizar todas as funções.

jogo em andamento

Cada jogador inicia com apenas dois dados (trabalhadores) e pode conseguir mais ao longo do jogo, mas quanto mais conhecimento seus trabalhadores adquirem, maior a chance de perdê-los (o conhecimento é calculado num sistema de contagem de pontos a cada vez que os dados são rolados juntamente com outros pontos já computados numa tabela, bem engenhoso). Isso impede que jogadores disparem em relação aos outros, mantendo um equilíbrio entre os competidores.

A partir da rolagem, cabe ao jogador decidir onde alocará seus dados. Basicamente, as primeiras ações são em busca dos recursos básicos. Cada recurso está associado a um tipo de mercado e fábricas. Além de um túnel que garante benefícios aos jogadores que estiverem produzindo aquele bem.  O jogo tem um bom sistema de recompensas que incentiva o jogador à produção.

Um sistema de trocas permite que os jogadores negociem com o próprio jogo, a conversão de matérias primas em ouro, pedra, etc. Esses recursos serão necessários para a fase de construção.

detalhe das fábricas, a punição lê-se na parte inferior.
Ao mesmo tempo que o jogo premia, é também bastante punitivo. E nesse ponto é que começa a corrida pela vitória. No tabuleiro, existem pontos específicos onde os jogadores podem alocar suas estrelas. Lembre-se que este é o objetivo do jogo! Assim que um campo de construção é aberto, é fundamental que você faça parte dele, mesmo que isso não esteja nos seus planos! Quem participa da construção tem direito a colocar uma de suas estrelas, além de usufruir do mercado aberto. Mas, se você ficar de fora, não perderá somente a chance de usar a estrela, como sofrerá uma penalidade específica daquele prédio.
Naturalmente, isso pode ser revertido, mas pode lhe custar muito caro.

Outro sistema utilizado são cartas de itens especiais combinadas ao uso dos bens, permitem alcançar alguns locais do jogo.







E para completar, existem os recrutas, que dão poderes ao jogador ao longo da partida, e estão sempre conectados a um determinado tipo de indústria.
É importante ficar atento a esse personagem, e evoluir a aliança da mesma indústria pode trazer pontos importantes.




Comentários:
Euphoria pode parecer mais do mesmo a princípio, mas, ao contrário dos já conhecidos pontos de vitória, nele temos que trabalhar num sistema diferente. A princípio, isso pode distrair o jogador, tirá-lo de seu foco, mas é justamente o seu diferencial. Gerenciamento de recursos e alocação de trabalhadores são familiares aos euros, mas a ele associamos sempre a maquininha de pontos. Aqui, são meras ferramentas para se “livrar deles”. Se considerar que as estrelas sejam pontos, e cada jogador parte de 10, o objetivo será não apenas gastá-las, mas, com bastante dificuldade, alocá-las nos locais corretos, e o mais rápido possível.

Bem equilibrado, com uma boa curva de aprendizado, e uma corrida final emocionante pela vitória, Euphoria se destaca como um ótimo jogo.

O designer Jamey reproduzido em um dos tiles do jogo.
A Stonemaier Games (Viticulture) mostrou a que veio e esperamos que não pare por ai. Ambas as
produções foram realizadas através de financiamento coletivo, e eles parecem dominar muito bem essa tática, sempre com um carinho especial ao colaborador.

Obs.: regras em português disponíveis no BGG.

Informações adicionais: 
Designers: Jamey Stegmaier e Alan Stone
Ilustrador: Jacqui Davis
Publisher: Stonemaier Games
Ano: 2013
Jogadores: 2 a 6

Duração: 60 minutos

[Resenha publicada originalmente na Ludo Brasil Magazine nº 37]

11 de mar. de 2014

JAMAICA

O grande pirata caribenho Henry Morgan convoca seus velhos amigos de armas para uma disputa em busca de tesouros. Carregamento de pólvora? Ok! Mantimentos? Ok! Meu mapa do tesouro? Quem roubou meu mapa? Seus bastardos miseráveis! Içar velas! Levantar âncora! Vamos pilhar toda a Jamaica!!!

Objetivo: Conquistar o maior número de pontos de vitória, através de tesouros e ouro.

Componentes:  
1 tabuleiro
80 dobrões
45 tiles de comida
45 tiles de pólvora
9 tiles de baús
12 cartas de baú
1 bússola
3 dados
6 navios piratas
6 porões de carga
66 cartas de ação

Componentes de excelente qualidade, do cartonado ao navios piratas. A arte cartunesca de Mathieu Leyssenne é viva e enche os jogadores de energia para pilhar o Mar do Caribe.


O jogo:
Jamaica é um jogo de corrida, com coleta de itens, e muitos combates pelo caminho. Um ótimo jogo familiar ou para amigos, daqueles que “quanto mais gente melhor”. Fruto de uma parceria tripla entre os “corsários” Malcolm Braff, Bruno Cathala e Sébastien Pauchon.

Cada jogador encarna um famoso pirata, homens e mulheres que provocaram o terror no século XVII. O manual de regras traz ao final um pouco da história de cada um, e é bem legal ler em voz alto para os demais jogadores antes da partida para entrar no clima do jogo!

piratas de verdade!

Cada um abastece seu navio com suprimentos para a viagem. A dinâmica do jogo é bem simples e dependente de sorte. O capitão da vez rola dois dados que vão decidir as ações do dia e da noite. Na verdade, são apenas dois dados comuns (d6) e ele deve escolher a quantidade que irá alocar pra cada parte do dia. Todos os demais piratas deverão seguir essa demanda da vez, mas o tipo de ação que fará é determinada pelas cartas.


Cada jogador pega, para a rodada, três cartas de cima do seu monte. Todas possuem uma ação do lado direito (noite) e do lado esquerdo (dia). Ele deve escolher, dentre as 3 cartas, qual irá usar naquele turno. Dentre as opções de ação temos: movimento para frente, para trás, ganhar comida, pólvora e ouro.
Curiosidade: as cartas apresentam uma história quando colocadas em seqüência.

cartas do jogo, quando colocadas em ordem, contam uma história!

No caminho em torno da ilha estão escondidos 9 baús que podem ou não conter tesouros. Alguns deles possuem maldições brabas e outras pequenas ajudas!

Bastante simples, não? É porque a graça do jogo está no combate! Afinal, sem pirataria esse jogo não teria sentido, não? Quando um navio pára no mesmo espaço que outro, eles imediatamente entram em combate! Sua resolução é bem simples. Cada jogador vai rolar um d6 especial com valores variáveis e uma estrela. Vence aquele que tirar o número maior ou a estrela. Os piratas podem incrementar seus ataques “casando” tiles de pólvora, aumentando o valor do tiro.

O vencedor escolhe o prêmio que pode ser toda a carga de um compartimento do adversário, uma carta de tesouro ou ainda transferir uma maldição sua pro outro jogador.

Mas nem tudo são flores nas águas quentes caribenhas. Nem sempre é fácil avançar nessas águas, e é preciso pagar o preço, seja com comida ou mesmo ouro! Mas coitado de você se não puder pagar! Perde tudo que tem daquele tipo de item e ainda precisa voltar para trás.

Cuidado com a calmaria, tente manter seu navio sempre avante para chegar logo a Port Royal! Quando o primeiro navio aportar, o jogo concluirá naquela rodada. Os melhores colocados ganham pontos extras.

mantenha seu compartimento de cargas abastecido!


Dicas: Jamaica é um jogo simples, em que é preciso jogo de cintura para contornar o fator sorte, bastante alto. Divirta-se pilhando os navios adversários. Mas aqui vai uma dica fundamental pra vencer o jogo. Tenha em mente dois momentos do jogo. Até a metade do jogo você precisará de comida para avançar na corrida e pólvora para combater seus inimigos. Mas lembre-se que no final do jogo isso de nada vale, então, comece a estocar ouro para a contagem final de pontos.

Mantenha seus tesouros salvos e beba uma garrafa de rum no final pra comemorar!

Ano: 2007
2 a 6 jogadores (melhor com 6)
Idade: 8 anos
Duração: 45 min
Publisher: Asmodee, Asterion Press, GameWorks SàRL

[Resenha publicada originalmente na Ludo Brasil Magazine nº 36]





12 de fev. de 2014

BORA BORA

Ah, a misteriosa ilha de Bora Bora, flutuando ao sol da polinésia Francesa... Uma vida tranqüila, onde os homens saem para pescar enquanto as mulheres confeccionam jóias e preparam suas oferendas aos deuses.

Objetivo do jogo:
Acumular o maior número de pontos de vitória ao final do jogo.





Componentes:

- Muitos tiles, sendo 18 oferendas, 36 conchas, 12 peixes, 36 mulheres, 36 homens, 60 objetivos, 24 jóias, 7 ações, 10 Deuses, 24 construções, 4 ordens do turno
-1 tabuleiro de jogo
-30 cilindros de madeira (areia, pedra e madeira)
-60 cartas de Deuses
24 cabanas
16 sacerdotes
8 marcadores
12 dados
4 tabuleiros de jogador






O Jogo:
O mestre Stefan Feld prepara mais uma de suas artes neste jogo que é um complexo sistema de minigames. Usando mecânicas já conhecidas de outros jogos seus, ele as aprimora e equilibra, numa mistura bem dosada de sorte e estratégia, mas sem chegar a fundir nossos cérebros.

Cada jogador recebe um tabuleiro pessoal muito bem detalhado. Podem parecer informações demais no começo, mas depois elas se tornam ouro, numa mistura de depósito com player-aid. Mas vamos ao jogo.

tabuleiro do jogador

A cada rodada estão disponíveis 8 tipos diferentes de ação. Cada jogador deverá rolas seus dados e alocá-as nos espaços de ação desejado, sendo que o seu dado tem que ter o valor inferior ao dado que já ocupar aquele local. Sendo assim, se alguém alocar um dado de valor “1”, ninguém mais poderá entrar naquele espaço.
As ações vão desde conseguir ajudantes (masculinos e femininos), trocar itens no mercado, fazer construções, enviar sacerdote ao templo, expandir seu território na ilha e pescar.
Todas essas ações têm conseqüências importantes ao jogo que são resolvidas na fase de pontuação que encerra cada turno e que vão colaborar para a realização dos mini-games.

alocar dados para escolher ações

Outro detalhe interessante é que boa parte das ações estão relacionadas aos valores dos dados. Eles não servem apenas para se entrar no espaço que determina a ação, mas limita o tipo de ação que você pode fazer. Por exemplo, se você usa um dado de valor 4 para conseguir uma ajudante feminina, significa que você poderá escolher qualquer ajudante que esteja na casa do quatro ao um. Se o dado fosse de valor 1, você só poderia pegar a ajudante da casa um.

Esse detalhe torna as decisões muito mais difíceis, pois é preciso balancear os dados que você tem, que nem sempre são bons, com os dados dos adversários, as ações que tem em vista e as conseqüências delas! Mas, como estamos falando de euro, sempre existem artifícios para se contornar o fator sorte. É quando os deuses entram em ação, cartas com poderes especiais que podem ser usadas para alterar os valores dos dados, ou permitir que entrem em ações já ocupadas, etc. Os deuses ainda possuem outros dotes especiais para outras situações, e naturalmente, os favores não são gratuitos, devem ser pagos regiamente com oferendas saborosas.

poderosos deuses famintos

E, claro, que as ações tem conseqüências que se misturam e é preciso buscar sempre um equilíbrio. Ajudantes masculinos lhe dão tatuagens que te ajudam a subir no track de status. Mulheres dão conchas que permitirão comprar jóias. Ambos os ajudantes dão ações extras dos mais variados tipos. Mas, para poder alocar um ajudante, é preciso construir uma cabana na ilha. A escolha da cabana depende da sua capacidade de expansão (por terra e mar), que lhe rende matérias primas e comida. E por ai vai.

tabuleiro principal

Confuso ainda? Vai ficar mais fácil quando apresentar os minigames.

O jogo possui dois níveis de objetivos:

1) Objetivos obrigatórios  a serem cumpridos ao final de cada rodada:
No nível 1, ao longo do jogo teremos sempre três opções de tarefas a serem cumpridas. Ao final da rodada temos que conseguir cumprir uma delas. Caso seja cumprida satisfatoriamente, o jogador ganha 6 pontos de vitória. Se não conseguiu completar sozinho e usou a ajuda de um deus, ele ganha 4 pontos, mas se não cumpriu, não ganha nada. Uma nova tarefa entra para completar as 3 opções para a próxima rodada.



2) Objetivos opcionais a serem cumpridos ao final do jogo
Após as seis rodadas, é feita a contagem de pontos. Ganham-se pontos por tiles de deuses, pelos tipos de peixe que tem na sua cabana, pelas jóias que possui. Mas, também ganha 6 pontos de vitória por cada mini-game completado. São eles:

-conseguir completar 9 tiles de objetivo (explicados no tópico acima),
- possuir 6 tiles de jóias,
- estar com os 12 espaços de cerimônia preenchidos, seja com matérias primas (areia, pedra e madeira), seja com tiles de construção,
- tiver usado os 6 tiles de construção,
- tiver cabanas nas 12 regiões da ilha,
- tiver conseguido 12 ajudantes (mulheres ou homens).

Pode parecer muita informação, e não vou mentir dizendo que não é, mas o jogador que já inicia a partida com esses objetivos claros na mente, e focado durante todo o jogo tem muito mais chances de vitória do que os demais, pois não são apenas os pontos bônus, mas todos os pontos que acabou fazendo ao longo da partida para chegar a eles.

jogo em andamento

Não é uma tarefa fácil, mas é um objetivo perseguido pelos fiéis súditos de Feld a todo custo.

Considerações:
Num ano de grande atividade, Stefan Feld lançou 3 grandes jogos no mercado. Este foi o primeiro e chegou causando furor. Não a toa, pois é um excelente jogo e merece estar entre os tops de qualquer lista. Ele acertou em todos os quesitos, da arte ao design do jogo, com tabuleiros bem explicativos (uma tarefa difícil num jogo com tantas opções), sem se tornar um tema colado, conseguiu unir a temática às mecânicas. Desafiante e nunca cansativo, Bora Bora é, sem dúvida, um jogo do primeiro escalão.

Informações adicionais:
Autor: Stefan Feld
Ilustrador: Alexander Jung
2 a 4 jogadores
Acima de 12 anos
Tempo médio: 90 min
Valor médio: U$40
Publisher: Alea

[Resenha publicada originalmente na Ludo Brasil Magazine nº 35]

8 de jan. de 2014

LA BOCA

Hermanos argentinos no Caminito, casas coloridas, seu futebol disputado, seu churrasco grelhado... esqueça! 












Mas que La Boca vai te tirar o fôlego como se corresse 90 minutos no campo na Bombonera, ah isso vai!


Objetivo:
Ganhar o maior número de pontos de vitória disputando um tétris semi-cooperativo!





Componentes:
Caixa-tabuleiro
11 peças coloridas de madeira
64 cartas com 128 objetivos
100 fichas de pontos de vitória
6 tabuleiros de jogador

30 fichas de parceiros
1 cronômetro eletrônico
Livro de regras





O Jogo:
Não entendeu nada do que eu falei? Tudo bem, porque La Boca de tema não tem nada, sendo um grande jogo abstrato, festivo e acreditem, ainda por cima, cooperativo!

Cada jogador deve construir, com pecinhas de madeira colorida, um projeto “arquitetônico” no menor tempo possível. Cada peça possui um formato diferente, de cubos a paralelepípedos, e “L”s tridimensionais.


O que torna esse quebra-cabeças tão peculiar é que ele deve ser jogado em dupla, e cada jogador possui projetos diferentes. Simultaneamente, usando as mesmas peças, ambos os jogadores devem cumprir os seus objetivos distintos no menor tempo possível. Jogando de frente um para o outro, eles podem se comunicar, mas não podem ver o projeto do companheiro. Quando ambos os lados afirmam ter terminado, zera-se o cronômetro e marcam-se os pontos.

O jogador seguinte sorte-a seu novo parceiro, e um novo desafio se inicia. Isso se repete até que todos os jogadores tenham jogado um com o outro.

Essa idéia simples, mas genial, dá à La Boca uma série de vantagens. A primeira, e mais desafiadora delas, é o desafio espacial, de ver um desenho bidimensional e transformá-lo numa construção tridimensional.

O segundo desafio é ser capaz de compreender que o mesmo projeto pode ser executado de várias maneiras diferentes, e nem sempre a primeira versão é a que funciona, pois ela precisa funcionar para ambos os jogadores. É nesse momento que muitas duplas se atrapalham, pois não conseguem visualizar o que pode estar acontecendo do outro lado, como aquelas peças se comportam.




O terceiro desafio, regra do jogo, é não deixar nenhuma peça flutuando. Vocês não tem idéia do que é ver o cronômetro rodando, seus pontos voando, e ainda ter uma maldita quina vermelha flutuando no “céu argentino”. Às vezes, a casa vem abaixo e é preciso começar do zero.



E pra fechar, o quarto desafio, que torna esse jogo semi-ccoperativo, competitivo, e super divertido, é o fator humano. Você é parceiro de um jogador que daqui a alguns segundos estará competindo com você, tudo junto e misturado, como as casas no Caminito. Você torce contra e a favor, sentimentos dúbios e simultâneos.

O jogo ainda possui um modo avançado, quando se inclui a peça vermelha... *cri cri* todos tremem e somente os corajosos incentivam! Como uma peça pode mudar tanto? Acredite, pode! Mas não vou estragar a surpresa, você vai ter que experimentar!

Comentários:
O casal alemão Inka e Markus Brand possui um vasto currículo lúdico, mas ganhou reconhecimento mundial com o sucesso Village, eurogame caprichado campeão do Spiel des Jahres 2012. Com La Boca, eles provam que não são designers de um título só, versáteis e inteligentes, vão do abstrato ao temático, do festivo ao euro, sem se perder.

La Boca foi, sem dúvida, o party game mais comentado desse segundo semestre lúdico, pré-Essen. As mesas se tornaram disputadas, com lendas instantâneas

despontando de cada joga, seja pro lado bom ou lado ruim (se você não tem visão espacial, fuja!). A familiaridade do tétris atrai as pessoas, e a disputa contra o tempo deixa as emoções no limite da loucura. Combinação bombástica com simplicidade merecendo o reconhecimento nas mesas.

Já falamos aqui na Ludo de outros títulos semelhantes, como o Ugg-Tect, mas cada um tem sua particularidade, seu charme e todos são, garanto, muito divertidos. Puxe sua carta, zere o cronômetro e prove quão bom você é em La Boca!

Designer: Inka e Markus Brand
Publisher: Kosmos, várias
Ano: 2013
De 3 a 6 jogadores
Duração: 40 minutos


[Resenha publicada originalmente na Ludo Brasil Magazine nº 34]

11 de dez. de 2013

ODDVILLE





Quatro poderosas guildas da Idade Média estão construindo uma estranha cidade, e precisam de você... (para trabalhar, claro!).

Objetivo
Fazer o maior número de pontos de vitória construindo a cidade.


Componentes
64 Cartas de Moedas / Construção
1 Carta inicial de cidade
16 Cartas de trabalhadores (roxo, azul, vermelho e amarelo)
36 meeples (roxo, azul, vermelho e amarelo)
1 Tabuleiro de Recursos
12 Cartas de personagens das 4 Guildas
1 Livro de regras



O jogo
Cada jogador deverá ajudar na construção da cidade e para tal, deve prover recursos como madeira, tijolos, pedras e cristais para viabilizar a construção.

O que determina a ação do jogador é um conjunto de 4 cartas de trabalhador. Com elas você poderá conseguir dinheiro, mandar trabalhadores para a área de recursos ou comprar uma carta da cidade. Apenas para construir não será preciso usar essa carta de trabalhador. Elas possuem níveis diferentes de benefício / ação, então, saber usá-las é importante.






A área de recursos é um tabuleiro à parte, para onde seus meeples serão enviados. Se for o primeiro a chegar ao local não pagará nada, mas, quanto mais trabalhadores houver na área, mais caro se tornará o recurso.
Para gastar o recurso durante a construção, basta retirar o meeple da área correspondente.



A lógica de construção segue a linha “acrescente uma carta combinando o caminho”, mas, o que difere esse jogo de um quebra-cabeças? As decisões que existem subentendidas em cada carta/pedaço de cidade a ser colocada.



O jogador precisa estar atento a 3 condições:
) o custo: ele precisa antever o custo da carta, mandar seus meeples para a área de produção de recursos e pagar seu preço para instalar.
2ª) benefícios imediatos: cada carta possui 2 tipos deles no canto superior direito. Um relacionado a uma guilda, outro a um recurso. A escolha da guilda pode fazer toda a diferença!
3ª) pontos ao final do jogo: no canto superior esquerdo encontram-se os pontos finais, que podem ser “4 pontos” por exemplo, ou, fazer parte de uma cadeia de pontos maior, que precisa ser construída. Aí entram duas outras questões, em que momento colocar aquela carta em jogo, e onde colocá-la.

As guildas são divididas em 4 tipos, e cada vez que um jogador constrói uma parte da cidade com o escudo de uma guilda, ganha o direito a uma carta que lhe concederá poderes especiais. Mas não se iluda, eles não são permanentes. Como o número de cartas é limitado, uma vez que o estoque esteja vazio e um jogador necessite de uma nova carta, todas as cartas daquela guilda voltam para o estoque! Mas, se você conseguir mantê-las até o final do jogo, ainda ganhará mais pontos de vitória.



Comentários
Às vezes o excesso de componentes nos enchem os olhos. Por outras, a inteligência em se minimizar a quantidade e otimizar o uso é que são o atrativo. Oddville claramente poderia ser um eurogame com muitos tiles e recursos, mas é um jogo enxuto, inteligente e funcional.
Além disso, a duração é outro atrativo, com partidas rápidas para o gênero.

Divertido, desafiador, inteligente, simples e prático, são os adjetivos que podemos atribuir à Oddville. Um jogo de construção de cidade, com administração de cartas e um workplacement diferente.


Designer: Carlo Lavezzi
Publisher: What's Your Game?
Ano: 2012
De 2 a 4 jogadores

Duração: 45 minutos

[Resenha publicada originalmente na Ludo Brasil Magazine nº 33]

24 de nov. de 2013

KROSMASTER ARENA

No estranho mundo de Hormonde, perdido nas  profundas dobras do tempo, os Demônios das Horas encontraram um hobby digno de seus corações cruéis ... a Arena! Guerreiros de todas as idades e terras são escravizados e devem lutar por suas almas tendo a chance de se tornar o campeão supremo.

Objetivo
Derrotar o time adversário conquistando 10 Gallons of Glory ou matando todos os adversários.







Componentes
-1 tabuleiro dupla face
-8 miniaturas de personagem com suas cartas correspondents: Anna Tommy, Bad Aboum, Bill Tell, Kassius Kaos, King of the Gobballs, Lil Healey, Oscar Kass and Queen of the Tofus
-15 tokens de "Gallons of Glory"
-24 tokens especiais (Bombas, bonecas, Criaturas e armadilha)
-12 tokens de pontos de ação
-12 tokens de pontos de movimento
-50 tokens de dano
-60 tokens de Recompensa do Demônio
-Árvores, arbustos e tocos de árvore tridimensionais
-8 dados customizados
-1 livro de regras

Set básico de personagens.



O Jogo
Carta especial tamanho gigante pra ler melhor as habilidades
dos personagens. Amelia, personagem especial Kickstarter.
Krosmaster: Arena é um jogo de combate para dois ou quatro jogadores, com cartas de poderes únicos e as miniaturas mais fofas do mundo! Sim, porque caveiras estilo anime são fofas!

Cada jogador deve montar seu time de gladiadores seguindo uma escala de poder que totalize 12 pontos. A escolha desses personagens e a base do jogo, pois, quanto melhor seu personagem, maior esse nível de poder. Quando um personagem morre na arena, o adversário ganha pontos de vitória (Gallons of Glory) no valor igual ao do poder do personagem morto. Logo, ter um time com vários personagens fortes pode ser um tiro no pé se não souber se proteger. Por outro lado, se seu personagem tem um índice baixo, dará poucos pontos para o adversário, mas também será um alvo fácil. EQUILIBRIO é a palavra chave na hora de montar seu time.


O tabuleiro é dividido em casas, que podem ser livres permitindo o avanço dos personagens ou ocupada com elementos de cenário como árvores, arbustos e caixotes. Cada um deles interfere na ação de um modo diferente. Algumas casas possuem moedas que os personagens vão coletando ao longo da partida. Dica: tente coletar o maior número possível de moedas! Elas são um trunfo importante. Quando o personagem atinge a casa do Demônio das Horas pode comprar itens, bônus e poderes especiais com as moedas. São 3 níveis de poderes (3, 6 e 12 moedas). A outra ação da moeda é comprar um Gallon of Glory, cada um custa 10 moedas. No início do jogo, cada jogador ou time começa com a mesma quantidade de pontos, 6 cada, e existe 1 ponto extra sem dono. O primeiro jogador que conseguir pontos, seja através de compra ou matando um adversário, ganha esse ponto extra e o restante vem do adversário.

Existem duas formas de se ganhar o jogo, conquistando 10 pontos de vitória ou matando todos os personagens do adversário.

Mas afinal, como se joga, cadê o combate? Na vez de cada jogador, ele deverá rolar dois dados especiais que lhe conferirão bônus especiais de combate, defesa, atração ou escape. O jogador aloca esses dados num de seus personagens que valerão para aquela rodada. Se ele preferir, pode vender os dados por moeda. Quando os dados saem iguais, uma dupla, cada jogador perde um ponto de vitória!

Em seguida, é a vez de colocar os personagens em ação! Cada jogador ativa todos os seus personagens antes de passar para o jogador seguinte. Todos possuem uma quantidade limitada de pontos de movimento, pontos de ação e pontos de saúde. Os poderes dos personagens são bastante variados. Há os que podem atacar a distância em qualquer direção, direção fixa, os que só atacam em contato, os que curam, os que dão poderes extras aos companheiros de classe, os que possuem poderes extras (tolkens que são acrescentados ao jogo como pássaros, ovelhas, bonecas, armadilhas, bombas). Esses tolkens possuem sua própria determinação de vida/movimento/ação e podem ser uma dor de cabeça ao adversário.

Agora é cair na batalha e ver quem é o melhor na Arena!
Mas no que o Krosmaster difere dos outros jogos desse estilo?
Vou te popotizar!
-A primeira resposta é ter tido a façanha de atrair o público feminino para esse tipo de jogo. Como disse o amigo Warny Marçano: “Inventaram um war game para mulheres!” 
-Em segundo, a capacidade de se montar seu próprio time. Para quem gosta de experimentar sem gastar dinheiro, pode conhecer o jogo através do site e jogá-lo virtualmente e experimentar times diferentes de combate. Tendo apenas o jogo base, o jogador já poderá montar várias combinações diferentes. Se ele adquirir os sets especiais, essas combinações vão ao infinito. Já são 8 pacotes especiais lançados (cada um com 4 personagens) fora os promos especiais.
-A qualidade dos componentes são por si só um grande atrativo. Para quem gosta de colecionar miniaturas, pode pensar em adquirir o jogo só por elas.
- Pela diversão. São tantas as possibilidades estratégicas e viradas de jogo que a diversão está garantida.

Kit personagem + tabuleiro individual.
Dica: O jogo base vem com dois tabuleiros e oito miniaturas-personagens básicos. O jogador pode adquirir novos personagens e eles virão com tabuleiros extras para se jogar individualmente ou contra outro jogador.  Ou seja, se você não quiser comprar o jogo base, pode comprar um set de miniaturas (com 4) que poderá jogar, ou apenas colecioná-las expondo em sua estante.

Kickstarter: este jogo precisou de um capítulo a parte para falar só da edição Kickstarter. Como todo projeto via financiamento coletivo, ele ganhou vários brindes e promos especiais. Mas KA foi um exagero de promos em nível proibitivo!
Além do jogo base, foram disponibilizados 3 cenários extras, uma infinidade de personagens especiais, dados personalizados, moedas douradas, Gallons dourados, e todos, eu disse todos os componentes em resina, do cenário ao tokens de personagens! Pra completar, uma maleta para guardar todas as suas miniaturas, bonecos em tamanho extra grande e camisetas. É provável que eu tenha esquecido algo. Claro que para conseguir tudo isso foi preciso desembolsar uma pequena fortuna, mas o pledge médio já era incrivelmente arrebatador e acessível. Se tornou item de colecionador obrigatório.
  
Krosmaster Arena traz diferentes níveis de satisfação, ao olhar, ao colecionar, ao jogar, e o que é mais importante: compartilhar essas emoções com os amigos na mesa de jogo.

Infos
2 ou 4 jogadores
60 min
14 anos
Ankama, Japanime Games

[Resenha publicada originalmente na Ludo Brasil Magazine nº 32]