28 de set. de 2020

Chakra




Sinopse

Preencha, alinhe e harmonize seus chacras (ou chakras). Para isso, você precisa capturar a energia positiva do universo e eliminar a energia negativa.


Componentes
4 tabuleiros individuais
98 cristais de energia coloridos
20 tokens de inspiração
8 tokens de plenitude
28 tokens de meditação
1 tabuleiro central Lótus 
1 sacola do Universo
1 token de primeiro jogador
1 manual de regras





Como jogar
Objetivo do jogo: Alcançar o mais alto nível de plenitude colocando três energias da cor certa nos Chakras correspondentes. Ganha o jogador que obtiver mais pontos.




Na sua vez você pode fazer uma destas 3 ações: receber energia (gemas), movimentar energia nos chakras ou meditar.

- Receber energia: o jogador pega 1, 2 ou 3 gemas em uma das três colunas do tabuleiro Lótus. O jogador pode pegar as três gemas se as cores forem diferentes entre si, duas gemas se as cores forem diferentes ou somente uma gema. Não pode pegar gemas com cores iguais. Quando tiver pedras pretas na coluna, o jogador deve sempre pegar uma pedra preta junto das outras.

- Movimentar energia: o jogador coloca uma das suas fichas pretas em cima das setas no tabuleiro de jogador. Cada seta faz um tipo de movimentação. Importante, se o chakra tiver três gemas de cores diferentes, não é possível movimentar as gemas dos demais chakras passando por ele. É preciso que haja sempre um espaço livre. Caso o chakra esteja completo com as três gemas da mesma cor, ele não conta mais na hora de movimentar as demais gemas para os outros chakras.

- Meditar: o jogador coloca o token de meditação ao lado da cor correspondente no seu tabuleiro e olha secretamente a pontuação da cor no tabuleiro Lótus. Essa pontuação o jogador recebe no fim do jogo se completar o chakra com as 3 pedras correspondentes. O jogador também pega de volta as fichas pretas que estavam nas setas de movimentação no tabuleiro de jogador.

Fim de jogo: o jogo termina quando um jogador completar 5 ou mais chakras. Os demais jogadores terminam o turno e faz-se a contagem de pontos. 

Pontuação final: 1 a 4 pontos de plenitude para cada Chakra harmonizado; 1 ponto de plenitude para cada energia aliviada (para aliviar pedras pretas, o jogador deve levar elas até a parte abaixo do chakra vermelho), qualquer energia negativa (pedras pretas) ainda no tabuleiro do jogador não conta como pontos negativos. Bônus de harmonização: Cada jogador conta, em seu tabuleiro, o número de Chakras harmonizados alinhados, de baixo para cima. O jogador com mais Chakras harmonizados alinhados, ganha 2 pontos no final da partida.




Ficha técnica
Designer: Luka Krleža
Ilustradora: Claire Conan
Editora: BLAM!
2 a 4 jogadores
20-30 minutos
+8 anos



Chakra é o primeiro lançamento do croata(?) Luka Krleža. Já Claire Conan também ilustrou o jogo Hagakure, lançado este ano (2020). Seu estilo é muito semelhante ao de Xavier Gueniffey Durin em Tokaido. Com traço leve, delicado, e excelente uso da paleta de cores. Sua arte é uma grande aliada em Chakra.

Avaliação
Chakra é um jogo de regras simples, rápido, e com boa dose de estratégia para os jogos do mesmo padrão.
Possui um design elegante e atraente, e a caixa traz uma surpresa, pois apesar de pequena, reserva um conteúdo que enche os olhos. Os tabuleiros dos jogadores com a lindíssima arte são montados em duas partes, e as gemas dão o colorido e qualidade a mais.

Apesar de estar classificado como jogo abstrato, ele não é como muitos outros em que o tema seja irrelevante, muito pelo contrário! A temática do jogo está totalmente relacionada com a mecânica e jogabilidade. Ou seja, você joga e ainda aprende! 
Faz todo o sentido a movimentação das pedras de energia, as pausas para meditação e desobstrução dos chakras, com o momento de revelação dos valores, e o alinhamento final. Para quem faz meditação e entende um pouco do assunto, vai ter uma diversão extra com esse jogo. E para quem quer começar a entender, vai aprender muito mais rápido!

Sobre a editora BLAM: o que chama a atenção no catálogo da editora francesa é o extremo cuidado com a ilustração. Todos os jogos, independente do tema ou categoria, apresentam visual sofisticado, atraente, com trabalhos de alta qualidade. 

É uma excelente opção para dois jogadores, principalmente para quem gosta de fazer mais de uma partida em sequência. Funciona também muito bem com três jogadores. Com quatro, como fica uma disputa mais acirrada pelas gemas, os jogadores podem precisar usar a ação de descartar a energia negativa para buscar uma gema no Universo. Essa ação é raríssima com dois jogadores, pois há uma boa oferta de gemas.

Algumas dicas:
Tente priorizar o preenchimento tanto do chakra roxo quanto do vermelho. O primeiro facilitará a decida das gemas, enquanto o último poderá lhe dar pontos extras fundamentais.

Evite pegar as pedras pretas. Se o fizer, tente deixá-las nas bolhas Bhagyas (três círculos sobre o chakra roxo) ou descê-las o quanto antes para o descarte de energia negativa (a área sob o chakra vermelho), pois lá são convertidas em pontos. O importante é que elas não te atrapalhem a preencher os chakras.

Cuidado com o bloqueio dos chakras! Não tenha mais do que três tokens de inspiração presos, pois isso te limitará muito nas ações, forçando a meditar com muita frequência.

Planeje bem onde irá colocar suas gemas, já pensando nos chakras que serão bloqueados, como desbloqueá-los, e na quantidade de movimentos que precisará para mover as gemas de um chakra para o outro.

Equilíbrio é tudo nesse jogo! Desde pesar os movimentos, quanto saber em quais chakras investir. Atente-se para os valores que serão revelados após as meditações, mas também aos pontos bônus que os chakras base podem te dar.





Onde encontrar
O jogo foi lançado em Essen'19, mas só chega ao mercado mundial dia 30 de setembro'20! Como ainda não chegou no Brasil, você pode conhecer o jogo na plataforma online Boardgame Arena.




10 de set. de 2020

Família Black Stories

Não é coincidência os dois últimos posts serem sobre jogos que envolvam narrativa. Isso acontece porque estou trabalhando com eles numa oficina para desenvolver a escrita criativa. Então, hoje vamos falar de uma outra família que vem crescendo, a do Black Stories!



Black Stories é um jogo de cartas colaborativo em que os jogadores devem adivinhar uma história completa a partir de um pequeno argumento dado pelo narrador da vez. Os jogadores são livres para fazerem perguntas ao narrador, tentando adivinhar os detalhes da história, e ele só pode responder com "sim, não ou irrelevante". 

Quando Holger Bösch criou sua primeira caixinha de histórias, não tinha dimensão do sucesso que faria! Escritor de mistérios desde os anos 1980, só lançou seu primeiro jogo em 2004. A inspiração para o nome, provavelmente, veio da Floresta Negra, sua vizinha na Alemanha. E aproveitando o ensejo, todas as histórias versam sobre algo macabro, ou algum crime, e assim veio Black Stories.

Após algumas edições com histórias genéricas sobre crimes, foram lançadas as versões temáticas: filmes, natal, mortes engraçadas, entre outros. A série temática conta com um conjunto de autores que se alternam nos títulos, como Nicola Berger, Corinna Harder e Jens Schumacher, os três mais ativos. Hoje, a coleção conta com mais de 60 títulos!!! Uma média de 3 jogos diferentes por ano. O que também contribuiu para o crescimento dela foi a linha alternativa colorida, a Junior, com histórias temáticas, mais leves. Esse projeto é encabeçado pela Andrea Köhrsen, que assina tanto o design quanto as ilustrações.


Como desvendar os mistérios?           

Primeira regra: definir as personagens envolvidas: se é homem, mulher, jovem, idoso.
Segundo: saber se a morte foi acidental, um crime. E o que foi, tiro, queda, golpe, facada?
Terceiro: qual o local, casa, carro, rua, mar, empresa, etc.
Ou seja, QUEM, ONDE, QUANDO, são as primeiras coisas a serem definidas.

Agora vem a segunda parte e a mais difícil, preencher os detalhes. Nessa fase, não dá para ser tão catedrático, tem que deixar a imaginação solta pra poder definir o POR QUÊ e o COMO. Não pense, só pergunte, as vezes a pergunta mais estapafúrdia pode ser justamente a que vai te colocar no caminho certo.

Tente traçar uma sequência de acontecimentos, uma cadeia temporal, isso pode ajudar a cobrir algumas lacunas e a formular perguntas.

Não faça perguntas longas tentando adivinhar tudo, elas tem que ser curtas e objetivas. Do contrário, você pode receber um "não" estando parcialmente certo.

Antes de começar a partida, estipulem um tempo pra rodada, tipo 10 a 15 minutos no máximo! Algumas histórias podem ser terrivelmente desafiadoras e não ter fim.

E boa sorte!


Ficha técnica:                

Editora: Moses. No Brasil, está sendo lançado pela Galápagos Jogos. E mais 19 editoras pelo mundo.
Designer: Holger Bösch
Ilustrador: Bernhard Skopnik
Jogadores: 2-15 (mas nada impede que sejam mais)
Duração: 20 min (mas pode variar bastante)
Idade: +12 anos
Cada caixinha vem com 50 histórias.

JOGOS                         

Série Black Stories tradicional

      



Black Stories 5 (2009)
Black Stories 6 (2010)
Black Stories 7 (2011)
Black Stories 8 (2012)
Black Stories 9 (2013)
Black Stories 10 (2014)
Black Stories 13 (2016)
(há mesmo um hiato entre o 10 e o 13, por que este último se vale da fama de má sorte do número)

Série Black Stories temática

         


Black Stories Mystery Edition (2007)
Black Stories Real Crime Edition (2009)
Black Stories Köln Edition (2009) [Designer: Nicola Berger]
Black Stories Movie Edition (2009) [Designers: Stefanie Rohner, Christian Wolf]
Black Stories Krimi Edition (2010)  [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories Funny Death Edition (2011) [Designers: Holger Bösch, Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories: Christmas Edition (2011) [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories: Holiday Edition (2011) [Designes: Nicola Berger, Holger Bösch]


         



Black Stories: Sex and Crime Edition (2012) [Designer: Nicola Berger]
Black Stories: Mittelalter Edition (2012) [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories: Shit Happens Edition (2013) [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories Christmas Edition 2 (2013) [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories: Medizin Edition (2014) [Designer: Nicola Berger]
Black Stories: Office Edition (2014) [Designer: Nicola Berger]
Black Stories Funny Death Edition 2 (2014) [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories: Dark Tales Edition (2015) [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories: Bibel Edition (2015) [Designer: Johannes Bartels]
Black Stories Science-Fiction Edition (2016) [Designer: Elke Vogel]
Black Stories Scary Music Edition (2016) [Designer: Matthias Leo Webel]
Black Stories Investigation (2017) [Designer: Liesbeth Bos / Ilustradores: Kreativbunker, Bernhard Skopnik]
Black Stories: Superheroes Edition (2017) [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories: Uni Edition (2017) [Designer: Nicola Berger]
Black Stories: Strange World Edition (2017) [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories: Sebastian Fitzek Edition (2018) [Designer: Sebastian Fitzek / Ilustradora: Kirsten Küsters]
Black Stories: Bloody Cases Edition (2018) [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]
Black Stories: Daily Disasters Edition (2018) [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher]


Black Stories: Tod in Hollywood Edition (2018)  [Designer: Nicola Berger]
Black Stories: Killer Ladies Edition (2019) [Designer: Nicola Berger]
Black Stories: Fantasy Movies Edition (2019) [Designer: Elke Vogel]
Black Stories: Dark Night Edition (2019) [Designers: Holger Bösch, Maximilian Schulz, Simon Meßmer / Ilustrador: Simon Meßmer]
Black Stories: 5 nach 12 Edition (2019)

Black Stories: Epic Fails Edition (2020)  [Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher] [a ser lançado]
Black Stories: Horror Movies Edition (2020) 
[Designers: Corinna Harder, Jens Schumacher] [a ser lançado]
Black Stories: Tödliche Liebe (2020) 
[Designer: Elke Vogel] [a ser lançado]


Série Black Stories alternativos



Black Stories Stadt-Land-Tod (2010)
Uma versão de "Adedanha" em formato Black Stories.

Black Stories: Die Erweiterung (2010)
Uma variante do Black Stories com palavras-tabu que não podem ser ditas.



Série Black Stories Junior

      


Black Stories Junior: Blue Stories (2009)
Black Stories Junior: White Stories (2009) Aparições Fantasmagóricas
Black Stories Junior: Pink Stories (2009)
Black Stories Junior: Green Stories (2009) Aventuras da Selva
Black Stories Junior: Yellow Stories (2010)
Black Stories Junior: Orange Stories (2011) Viagens de Férias
Black Stories Junior: Golden Stories (2013)
Black Stories Junior: Purple Stories (2014)
Black Stories Junior: Das Spiel (2012)
Black Stories Junior: Red Stories (2018) Investigadores Perspicazes
Black Stories Junior: Rainbow Stories (2019)
Black Stories Junior: Pink Stories 2 (2011)
Black Stories Junior: Spooky Stories (2019)
Black Stories Junior: Ghost Stories (2016)
Black Stories Junior: School Stories (2018)
Black Stories Junior: Adventure Stories (2020)
Black Stories Junior: Fußball Stories (2020)
Black Stories Junior: Animal Stories (2020) [a ser lançado]
Black stories junior: Rätselhafte Weihnachten (2020) [a ser lançado]


Onde comprar                   

No Brasil, está sendo publicado pela Galápagos Jogos, e é sempre muito divertido, vale a pena ter um na ludoteca.



6 de set. de 2020

Família DIXIT



Há alguns anos atrás, ele era uma estrela solitária, mas com certeza uma estrela, nas jogatinas semanais, principalmente aquelas com bastante gente. Não tinha como uma roda de Dixit não chamar a atenção pelas interpretações mirabolantes e as risadas dos grupos, e até mesmo grandes discussões sobre interpretação de imagens. Naquele tempo eu sequer imaginava que hoje seria uma especialista em arte, e na arte de interpretar essas imagens... nossa primeira referência ao Dixit aqui no blog foi há 9 anos atrás, em 2011!!!!

De lá pra cá, o jogo cresceu, e muito, ganhou uma série de expansões, nova roupagem, novos designers, mas os coelhinhos continuam encantando a todos! E também ganhou novos usos, principalmente pelos professores, grupo no qual me incluo, que utilizam jogos como ferramentas nas suas salas de aula. Depois de tanto tempo, já estava mais do que na hora dessa estrela ganhar destaque por aqui e ter uma resenha completa sobre a Família Dixit. ;)



A primeira edição foi lançada em 2008, e foi seguida por uma expansão, trazendo novas cartas. Na sequência, foi lançado o Dixit Odyssey, que não apenas trazia novas cartas, mas uma nova jogabilidade, dobrando a capacidade máxima de jogadores de 6 para 12 (!!!) e incluindo novos modos de jogo. Por algum tempo, os três imperaram, até que a editora francesa Libellud reformulou a série, e passou a publicar uma sequência de expansões com muitas, mas muitas novas cartas, abrindo o leque para novos artistas registrarem as maravilhas de Dixit. Particularmente, sou muito fã da artista original, a francesa Marie Cardouat (outro trabalho famoso dela é o Steam Park), mas os artistas que vieram na sequência mantiveram o nível bastante alto também.

Por que "família Dixit"? Quando o nome de um jogo começa a ganhar continuações, podemos dizer que temos uma série, mas quando essa série cresce muito e ganhando outros formatos, é justo passarmos a dizer "família". Vamos vê-los todos aqui, preparem-se!

Pôster de cartas de Dixit (1).




Mas, O QUE É DIXIT?                                 

Dixit é um jogo de cartas ilustradas em que os jogadores devem adivinhar qual a carta do narrador da rodada, com base nas informações que ele forneceu. Para dificultar, cada jogador acrescenta também ao monte uma carta da sua própria mão, que mais se aproxime com a ideia passada pelo narrador. Quando todas as cartas são reveladas na mesa, tudo pode acontecer! Porque muitas vezes, as cartas dos jogadores tem mais afinidade com a descrição do que a carta do próprio narrador. 

A pegadinha do jogo é que o narrador não pode dar uma pista muito óbvia, que todos entendam, nem muito abstrata, que ninguém entenda. É preciso passar a ideia sem descrever literalmente o que se tem na carta, caso contrário, ele não pontua. E como que se faz isso? Como você quiser! A regra do Dixit é não ter regra, você pode cantar, sapatear, declamar, interpretar ou simplesmente narrar aquilo que você acredita ser a ideia central da ilustração. 

É muito comum os jogadores recorrerem a filmes, séries de tv ou livros, porque são informações de conhecimento comum, logo, mais pessoas poderão entender a ideia. Mas essa estratégia, embora confortável para o narrador por não exigir muita imaginação, pode ser um tiro no pé quando todos acertam sua carta!

Dixit é um party-game familiar, mas não pense que por conta disso não haja conflitos! Ledo engano! Esse é um jogo que os psicólogos tem medo, pois revelam muito sobre cada um. O que você vê na carta, como você interpreta aquela ilustração, as dicas que você dá como narrador, tudo isso diz muito sobre como você pensa. E saber usar isso na partida pode dar uma apimentada no jogo, mas fica a dica: use esse recurso apenas entre grupos muito amigo, rssss. Experimente criar temas para as rodadas, como "apenas filmes", "apenas lugares", "pessoas do grupo" (esta é a categoria perigosa, mas que também pode ser divertida).

Os jogadores pontuam quando acertam a carta do narrador da vez, quando tem a sua própria carta votada por outro jogador, e o narrador pontua quando consegue que pelo menos uma pessoa erre, ou pelo menos uma acerte. Essas pontuações variam de 1 a 3 pontos, e a partida termina quando o coelhinho (meeple do jogador) atinge 30 pontos.

Para sala de aula:
Como é um jogo que envolve alto nível de ludicidade, interpretação de texto-imagem, narrativa, expressão artística e interação, Dixit se tornou um querido entre os jogos para se trabalhar em sala de aula. É extremamente versátil, trabalha muito a criatividade e interpretação, e pode ser usado de formas muito variadas, seja com o próprio jogo em si, ou através de dinâmicas com as turmas. Eu costuma trabalhar para desenvolver a liberdade criativa e desenvolvimento de escrita narrativa de cinema, além de interpretação iconográfica.

OS JOGOS                                

Como são muitos, vamos dividí-los entre os jogos-base, que vem com componentes completos, e as expansões, que possuem apenas cartas. Como existem três caixas de jogos-base, as cartas que as compõem foram lançadas também como expansões. Assim, se um jogador possui a caixa-base 2, mas quer as cartas da caixa 1, pode comprar apenas as cartas, sem ter que investir em um novo jogo-base.

Ficha técnica:
Com exceção do Odyssey, tanto o Dixit 1 quanto o Journey são para 3 a 6 jogadores. Odyssey são de 3 a 12 jogadores.
Tempo médio de partida: 30 min.
Designer: Jean-Louis Roubira
Ilustradores: vários, vou listá-los ao longo dos jogos
Editoras: Libellud (original), Galápagos Jogos (no Brasil), e mais 16 pelo mundo.
Idade: +8 anos

Todos os jogos vem com um deck de 84 cartas.

Jogos-base:


Dixit 1: capa original.
Ilustração: Marie Cardouat
Curiosidades: já foram lançadas 52 edições, em diversos idiomas em todo o mundo.
O tabuleiro é a própria caixa do jogo que simula um campo onde os coelhinhos competem na corrida.





Dixit 1: capa da nova versão e componentes.



Ilustradores: Marie Cardouat, Pierô
Curiosidades: amplia para até 12 jogadores. Novo modo de jogar incluindo a carta aleatória. O tabuleiro passa a ser separado, com lugar para se colocar as cartas numeradamente, facilitando o voto. Os jogadores passam a votar usando um cartão perfurado que permite fazer os dois votos por jogada (narrador + aleatória).
A caixa vem com um insert com espaço para três baralhos.




Dixit Journey (2012)
Ilustrador: Xavier Collette
Curiosidade: embora lançado depois do Odyssey, o Journey parece ser um meio termo entre este e o primeiro Dixit.
Introduz novo ilustrador.













Expansões:


      


mesmas cartas do Dixit (1)

mesmas cartas do Dixit Journey

Dixit Odyssey (2013)
mesmas cartas do Dixit Odyssey. Também chamado de Dixit 0.



Expansões com novas cartas:

      


Iustrador: Clément Lefevre

Ilustrador: Franck Dion

Ilustradores: Carine Hinder, Jérôme Pélissier

         


Ilustradora: Marina Coudray

Ilustrador: Paul Echegoyen

Ilustradores: Marie Cardouat, Xavier Collette, Marina Coudray, Franck Dion, Paul Echegoyen, Carine Hinder, Clément Lefevre, Jérôme Pélissier, Pierô
Edição comemorativa de 10 anos e temática, todos os ilustradores que já haviam participado de alguma edição foi convidado a desenhar sobre mitos e lendas de todo o mundo.

Dixit 10: Mirrors (2020) [a ser lançado este ano]
Ilustrador: Sébastien Telleschi 



Promos e Cartas especiais:
Geralmente são cartas extras dadas como brindes em feiras ou pré-vendas. Também fizeram "packs", baralhos com número reduzido de cartas.

Vamos apenas listá-los aqui: 

Dixit 2: "The American" Promo Card.
Dixit 2: "Gift" Promo Card.
Dixit: Odyssey – "Bunny" Promo Card.
Dixit: "The Dragon" Promo Card.
Dixit: 2012 Asmodee Special Cards.
Dixit: Origins – "La Machine à rêves" Promo Card.
Dixit: "The Inheritors" Promo Card Pack.
Dixit: "Pumpkinhead" and "Santa" Promo Cards.
Dixit: "Werewolves" Promo Card Pack.
Dixit: "The Werewolves of Miller's Hollow: The Pact" Promo Card Pack.
Dixit: Spielbox 03/15 Promo Card.
Dixit: Tabletop Day 2015 Promo Pack.
Dixit: Anniversary Pack. (2015)
Dixit Demo Deck.(2016)
Dixit: "Magic Bunny" Promo Card.
Dixit Print-and-Play (2020): por conta da pandemia de Covid-19, a editora Asmodee lançou uma versão reduzida para ser impressa em casa. São 36 das 84 cartas do jogo original, para 3 a 4 jogadores.

Outro:

Dixit Jinx (2012)
Designer: Josep M. Allué
Ilustrador: Dominique Ehrhard
O único jogo da franquia que não é assinado por Jean-Louis Roubira. Esta versão trabalha com imagens abstratas, e os jogadores tem que criar "mapas" com essas imagens, e depois passar aos outros jogadores, no estilo Dixit, onde essas cartas estão. Seria um misto de batalha naval, jogo da memória e Dixit.



Conclusões

Não há dúvidas que a Dixit é um jogo de grande sucesso, seja pelo seu alcance mundial ou pela família que não pára de crescer. Podemos dizer que é um jogo universal, independente de idioma, que fala "qualquer língua", e por isso também, inclusivo. Um formato que a Libellud/Asmondee soube aproveitar e que, provavelmente, ainda vai durar muito tempo. Esse talvez seja um dos poucos jogos em que ganhar ou perder é completamente indiferente, não importa o coelho que cruza a linha de chegada, porque todos vencem ao se divertir jogando.

Onde comprar                   

No Brasil, está sendo publicado pela Galápagos Jogos, e é presença obrigatória em qualquer ludoteca.
Se você ainda não tem o seu, pode adquirir clicando no nome de cada versão do jogo ou no link a seguir para ver todos os jogos disponíveis na loja da Amazon (clique aqui).
Você fica feliz e ajuda a manter nosso blog ;)

Todos os jogos disponíveis no site:
Dixit deu origem ao nome de um outro jogo da editora Libellud, Lords of Xidit. Xidit é um anagrama de Dixit, e sua conexão pára por aí mesmo, apenas uma brincadeira com os nomes. Lords of Xidit pertence ao mesmo universo do jogo Seasons, e ambos não tem relação com Dixit.








13 de ago. de 2020

Plataformas digitais: Board Game Arena x Tabletopia

O ato de jogar é bom presencialmente com os amigos em torno de uma mesa com tabuleiro, aquela partidinha rápida e casual no celular, nos consoles de videogame, e mesmo naquela mesa virtual quando a gente tá em casa e longe dos amigos. Com o isolamento social, aqueles que não tem parceiros de jogatina dentro de casa, migraram em massa para as chamadas plataformas digitais de jogos de tabuleiro, causando congestionamentos nos servidores. Mas o que é isso, Renata? São sites que possuem os jogos de tabuleiro em versão para se jogar online, com amigos ou desconhecidos, sem fronteiras de casa, cidade ou país.

Muito se ouve, mas o que é melhor, os jogos eletrônicos ou os tradicionais analógicos? Para mim, o importante é jogar e se divertir, não importa o meio, existe tempo e lugar para cada um deles. Eles não precisam competir, mas co-existir. Então por que esta postagem tem um título de confronto? Não é meu intuito eleger a melhor plataforma, mas mostrar o que cada uma delas oferece e como se apresentam. A escolha de uso ficará ao seu critério. ;)

Muitos jogadores usuais estão buscando esses sites por não poderem jogar com os amigos, e muitos professores tem procurado plataformas para complementar suas aulas online com partidas interativas. Seja qual for seu caso, espero poder ajudá-lo a entender um pouco sobre essas duas plataformas que são os maiores destaques do ramo aqui no Brasil.



Qual a mais antiga?                           

O Board Game Arena (BGA) está no ar há 10 anos, e foi criados pelos profissionais de TI: Grégory Isabelli e Emmanuel Colin. Indo além de apenas um site que disponibiliza jogos, eles criaram uma comunidade em torno da plataforma, que a alimenta com conteúdos, revisa textos, insere novos jogos e monitora todo o funcionamento do site. A plataforma se sustenta com a colaboração dos próprios usuários, seja prestando algum auxílio nos pontos já mencionados, seja através de doações.

Tabletopia (TT) foi criado há 6 anos, através de um projeto de Kickstarter por pessoas da indústria e do mercado de jogos. São uma equipe multinacional alocada na Rússia. O perfil dos fundadores contribui para uma plataforma diferente do BGA, embora o principal intuito de ambas seja disponibilizar jogos de tabuleiro online. O Tabletopia é uma empresa e tem um apelo muito maior aos desenvolvedores de jogos, sejam amadores ou profissionais, além de se manter com sistema de assinaturas modulares.

Catálogo de jogos                              

O BGA possui hoje 210 títulos no seu catálogo. Seu foco são os eurogames, mas seu catálogo é bastante vasto, indo de jogos tradicionais, party games, jogos familiares a euros pesados. Os jogos na fase Beta, aqueles que foram inseridos recentemente e ainda passam por um período de avaliação e ajustes não chegam a 10%, mantendo assim um controle de qualidade sobre o material que vai ao ar.

O site divide os jogos em diversas categorias para facilitar a escolha do jogador, podendo selecionar por duração, complexidade, mecanismos e temas. Outro recurso são as sugestões de novos jogos a partir dos jogos que o usuário já experimentou, por afinidade dos pontos classificados anteriormente.

O Tabletopia oferece um catálogo muito maior com 1181 títulos, dos quais 49 são Premium, apenas para pagantes. E muitos demos, ainda em fase de teste, mas que só são visíveis quando se entra no perfil do jogo. Os títulos também variam dos clássicos aos últimos lançamentos, com bastante variedade. A plataforma tem servido de base para testes de público para muitas editoras, principalmente as menores que não tem um alcance de público no mercado tradicional. Como os jogos são "upados" pelos usuários no sistema instintivo (falaremos mais sobre ele mais para frente), alguns bugs podem ser frequentes.

As categorias de busca são: clássicos, fáceis de aprender, rápidos e divertidos, "hot seat" (categoria em que dois jogadores podem usar o mesmo computador para jogar), Kickstarter, novos lançamentos, premium, solo, top BGG, top hits e jogos para dois jogadores. 

O que garante o maior catálogo do Tabletopia em relação ao BGA? Um dos fatores é a forma de se "uppar" os jogos para o sistema. No TT qualquer usuário sem conhecimentos de programação pode subir um jogo pra plataforma, pois os jogos não possuem comandos ou setups automatizados. Enquanto que no Board Game Arena, por requerer que os jogos possuam uma automação de setups e do movimentos dos componentes e ações dos jogadores, é preciso que um programador crie esse jogo online, num processo mais trabalhoso e especializado.

Gratuito x Pago                                

Ambas as plataformas possuem os dois sistemas de usuários. 

No Board Game Arena todos os usuários que se registram são free, e são convidados a contribuir com uma pequena quantia quando quiserem, podem ser uma doação esporádica, mensal ou anual. Esses usuários Premium possui dois benefícios: abrir mesas de jogos premium, utilizar os recursos de áudio e video com os demais jogadores da mesa, e ter mais de um jogador no mesmo endereço de IP. Os usuários gratuitos podem entrar em mesas de jogos premium, apenas não podem abrir (criar) essas mesas. 

No Tabletopia, os usuários escolhem um plano de assinatura com três níveis diferentes e duas categorias diferentes: jogador ou desenvolver de jogos. Usuários free tem limite de acesso às mesas, podendo ter apenas 2 mesas abertas e não pode jogar os jogos premium. Já os designers free só podem subir um jogo, tem espaço limitado de armazenamento e sem direito a outras funcionalidades.

Os sistemas diferem pois, como dissemos no início, um se trata de uma comunidade colaborativa e o outro um negócio, logo, quanto mais recursos da plataforma, maior o valor da mensalidade. Os valores não são altos, mas por serem em euro e dólar, o câmbio está muito desfavorável aos brasileiros.


Interface e interatividade com os componentes              

Para mim, este é um dos fatores que realmente divide as duas plataformas, e não há melhor ou pior, mas aquela à qual você vai se adaptar mais. 

Para mim, uma das vantagens de se jogar online, além de você ter à sua "disposição" milhares de jogadores para compartilhar aquele momento, é o sistema trabalhar a seu favor, fazendo setups, controlando o tempo dos jogadores e mesmo impedindo que estes joguem errado. E esta é a maior vantagem, na minha opinião, do BGA ao TT. Este tem como premissa simular uma partida "real", ou seja, onde os jogadores controlam todos os componentes como num jogo ao vivo e em cores. Embora essa intenção possa parecer boa, não é prática, pois gera uma série de questões que podem transformar uma partida agradável num momento desagradável. Isso porque qualquer jogador pode manipular qualquer componente, todo o setup e movimentação de peças é controlado pelos usuários, não há controle de tempo de jogada, e não há nada que impeça que se jogue errado. 

Outro porém, no BGA a mesa e todos os componentes são dispostos de modo a serem vistos com clareza, ficam em formato 2D e temos no foco principal a sua própria área de jogador, enquanto a dos demais jogadores ficam abaixo, também visíveis. Todos os componentes são claramente visíveis e de fácil leitura. Ao se passar o mouse sobre qualquer componente, e possível se ter uma breve descrição do item. Na lateral direita é mantida uma relação dos jogadores com as informações que são relevantes para a partida. Não importa qual jogo você esteja, existe uma formatação padrão ao qual o jogador estará familiarizado.

O diferencial do TT, ao tentar recriar a mesa de verdade, é disponibilizar uma mesa 3D interativa, com recurso de controle de câmera (existe a possibilidade de colocar 2D, mas essa é uma escolha do criador do jogo).Todos os componentes do jogo estão dispostos sobre a mesa, e por isso ficam numa escala diminuta, forçando o jogador a dar zoom in e zoom out constantemente na mesa para pode visualizar os detalhes e textos. As informações dos jogadores ficam ao redor da tela, como se estivessem sentados na mesa, dispersos. E como cada criador configura seu setup de jogo, cada mesa será única, sem formatação padrão.

Importante! Ao jogar pela primeira vez no TT, ou apresentar a um amigo, gaste um tempo entendendo como a interface funciona. Para utilizar os componentes são necessários comandos combinados de mouse com teclado.

Idioma: o BGA oferece a plataforma em português, ou em outro idioma a sua escolha. O TT apenas em inglês.


BGA: Santorini em modo tutorial

TT: Santorini em modo hot seat dois jogadores.


Interação com outros jogadores                      

A forma como você interagirá com os outros jogadores começa quando escolhe o tipo de mesa

No BGA existe uma série de configurações que você pode fazer tanto para criar uma mesa quanto para escolher que tipo de mesa o sistema poderá te indicar como sugestão. Pode parecer complicado, mas é muito simples, e isso permite com que o jogo se adeque melhor à sua expectativa. 

Então, caso queira, pode-se definir a quantidade de jogadores, o tempo de jogada para cada um, o nível de reputação dos jogadores (falaremos mais sobre isso a frente). Mas se pra você isso ainda parecer muito complicado ou for indiferente, basta colocar no modo automático e ele te direcionará rapidamente pra mesa que estiver com lugar vago. Outra opção é criar uma mesa apenas para seus amigos, ou mesmo depois de criar uma mesa, convidar pessoas para integrá-la, sejam amigos, sejam jogadores diversos. O sistema te indica quais jogadores que gostam daquele jogo estão online, e se estão disponíveis para jogar. Quando ainda está conhecendo o jogo e não quer entrar numa mesa online, é possível fazer uma partida aprendizado, um tutorial jogando.

Por fim, ainda há o "tempo" em que essa partida se dará, se será em tempo real, ou em turnos (com cada jogador tendo um período fixo pré-estipulado para fazer o seu movimento). E por último, o modo Arena, que são campeonatos dos jogos, com partidas com data e hora marcada.

Durante a partida, é possível e aconselhável conversar com os demais jogadores da mesa através do chat via texto. A boa etiqueta recomenda que os participantes se cumprimentem antes de iniciar a partida e ao final, além de assessorar aquele jogador que ainda está conhecendo o jogo e as regras. As funções conversa por áudio e video estão disponíveis apenas para usuários premium. Caso você não domine o idioma dos outros jogadores, ou mesmo queira economizar tempo escrevendo, existem expressões pré-configuradas que traduzem automaticamente para o idioma de quem estiver lendo.

Caso um jogador extrapole seu tempo de jogada, ou perca a conexão, mesmo depois de contactá-lo pelo chat, é possível pular seu turno e continuar o jogo.

Outro ponto importante a ser mencionado é que todas as partidas ficam gravadas, registradas com um número próprio, que pode ser acessada quando quiser,  permitindo que o jogador retorne à partida para reassistí-la e assim observar suas jogadas e de seus adversários, descobrir o que fez de certo ou errado e aprimorar suas estratégias.

No TT, para criar a mesa, deve escolher entre as três configurações quando estiverem disponíveis: solo, hot seat e online, respectivamente, sozinho, com alguém na sua casa dividindo a tela, e com outros jogadores online. Cada opção dessas lhe dirá as opções de número de jogadores, que dependendo do jogo, podem ter assentos apenas para premium. Após sua escolha, o site criará uma sala para o jogo. Esse processo pode demorar um pouco e exigir da sua internet... porque ele precisa fazer download do jogo.

O chat via texto está habilitado a todos, mas o site não possui sistema de áudio próprio. Para usá-lo, é preciso acessar através de uma segunda plataforma, o Discord ou Steam. Como a interface do TT não é automatizada, é fortemente recomendável que haja comunicação instantânea entre os jogadores, apenas o chat por texto pode não dar conta. 

A vantagem do TT é que, como ele cria uma sala "sua", e ela está carregada no seu sistema, e os jogadores não tem tempo estabelecido, pode-se retomar à mesma sala quantas e quantas vezes quiser. Seja com a partida em andamento, seja para reiniciar uma partida. Lembrando que para usuários free existe um limite de duas salas apenas.


Quantidade de jogadores online e ranqueamento           

Curiosamente, a quantidade de jogadores inscritos e online em cada plataforma é inversamente proporcional ao número de jogos do catálogo. Enquanto no TT você encontra uma média de 300 a 400 usuários online, no BGA há de 5 a 7 mil usuários simultâneos, lhe dando sempre opção de parceiros para jogar.

Outras duas ferramentas que o BGA adota é o sistema de ranking (super complexo, gente, não sei explicar, mas lá eles tem tudo explicadinho, rss) que cria uma pontuação baseado nas suas experiências de jogo (quantidade de partidas, vitórias, derrotas, quantidade de pontos feita, vitória sobre um jogador inferior ou superior no ranking pontua diferente), isso permite que você possa selecionar ou reconhecer no seu adversário o grau de experiência dele, seja para fazer uma jogada mais arrojada, seja para auxiliar quem está começando. 

O outro ranking é pela reputação, gerado automaticamente pelo seu comportamento na partida e pela avaliação dos demais jogadores da mesa. Se você não faz seu movimento dentro do tempo estipulado ,ou se abandona o jogo, ou ainda se tem uma conduta desrespeitosa durante a partida com os outros jogadores, recebe uma punição no seu karma. Isso faz com que outros jogadores evitem  jogar com pessoas com a pontuação muito baixa. Mas não se preocupe, acidentes podem acontecer, como a sua internet cair (rsss), pequenas perdas são facilmente recuperáveis, basta voltar a ter uma boa conduta. Então, quando avistar um jogador com uma taxa de 10%, você pode ter certeza que bom parceiro ele não será...

Existe ainda uma derivação desse, em que os jogadores podem avaliar como positiva ou negativamente os outros jogadores, e avisar ao sistema se isso é apenas uma opinião pessoal sua, e se você não quer mais jogar com aquela pessoa, ou se ele é um péssimo usuário e ninguém dele jogar com ele. São ferramentas que não devem ser usadas levianamente, esta última apenas como último recurso em situações extremas. 

O BGA ainda atribui badges temáticos aos jogadores, conforme evoluem em cada jogo. Colecionar os badges é outra gamificação do site para estimular que o jogador se especialize num determinado título. Os escudinhos vão desde quantidade de partidas, de vitórias, tempo de jogo, grau do ranking, participação em torneiros, etc.


No TT, encontramos a informação de quantas horas de jogos cada usuário tem, e quantas horas por jogo.


Interação com outras plataformas                  

Enquanto o BGA é um sistema em si, com fórum próprio, salas de jogos leves, uma rede social em si, em que pode até mesmo conferir a atividade dos amigos, o TT pode-se dizer que é quase multiplataforma, porque utiliza recursos de outros sites para complementar o seu, funcionando "integrado" com o Discord e o Steam. 

Ambos os site usam o BGG (Board Game Geek) e o Youtube para colher e disponibilizar informações adicionais para regras, vídeos e tutoriais, embora o BGA esteja melhor servido nesse quesito, pois disponibiliza arquivos na própria plataforma, além de sistema tutorial com gameplay.


Compatibilidade para outros suportes              

Não há como em pleno ano de 2020 não pensarmos em multiplataformas, poder usar o computador, o celular e o tablet, como desejar. Ambos funcionam nos três suportes. 

Para o BGA, o fator negativo de se jogar no celular é com jogos muito grandes em que se tem muitos componentes, é preferível usar uma tela maior. Mas o sistema roda sem problemas, como no pc. Já no TT, existe o mesmo problema tanto para o site quanto o computador, que é ele ter que baixar a sala, e se o seu dispositivo não tiver muito espaço e memória, pode ser um problema. Quanto a visibilidade, pra mim tem o mesmo fator negativo do BGA, tela muito pequena para muitos componentes, ainda mais se tiver que dar zoom in/out todo o tempo.

BGA


Inserindo seu jogo                         

Este é o quesito em que o TT se destaca ao BGA, e que pra mim o caracteriza muito mais como uma plataforma para desenvolvedores do que para gamers. 

Para se inserir um jogo em ambas as plataformas, é preciso ser o detentor dos direitos do jogo (autor ou editora) ou possuir permissão para tal. Como já dissemos anteriormente, as duas plataformas funcionam de maneira distinta. Para o BGA é preciso criar um código, uma programação, com uma série de funcionalidades que exigem que você domine o sistema, não é para leigos. Enquanto que no TT, basta você ter as artes dos componentes e um bocado de paciência (rss) para conseguir uppar seu jogo. É claro que é algo trabalhoso, com muitos detalhes, mas que demandam paciência e bom senso. 

Se você criou um jogo, acho super válido, antes de imprimir seu protótipo, testá-lo na plataforma do TT. Isso economizará tempo e dinheiro, permitindo que faça os ajustes necessários antes de investir na impressão de um protótipo de qualidade para realizar os playtestes ao vivo e levá-lo aos eventos.

Quer saber como fazer isso? Bom, o santo Desley Raul criou um tutorial super detalhado, em quatro vídeos muito bem explicados, no Youtube. Se estiver interessado, acompanha o passo a passo com ele, esse vale o joinha nos quatro videos! (Desley, não te conheço, mas já te considero pacas! rss)
Tutorial: como subir um jogo para o Tabletopia


Considerações finais                        

Espero ter dado uma visão das duas plataformas, que para mim tem mecanismos muito diferentes e por isso são de difícil comparação. Como disse no início, uma não é melhor do que a outra, você precisa apenas ver qual atende as suas expectativas, ou qual tem no catálogo o seu jogo preferido. 

Para mim, me sinto muito mais a vontade em jogar e interagir no BGA, mas reconheço o valor e a importância do TT para se testar e desenvolver um jogo.

Outros sites clássicos são o Yucata e Boîte à Jeux, que seguem um padrão similar ao BGA, mas focado apenas nos jogos, sem toda a comunidade em volta e costuma ser usado pela turma do jogo em turno. Enquanto o TT encontra um similar no Table Top Simulator.

Agora é com vocês, não importa qual das duas, ou as duas, ou outras ainda, jogue, interaja, divirta-se! E fala pra gente quais outros sites você gosta de usar. ;)


Links:                                           

Board Game Arena

Tabletopia

Yucata

Boîte à Jeux

Table Top Simulator


Meus agradecimentos sinceros ao Fabrício pela revisão e adição de comentários valiosos ao texto! ;)