18 de abr de 2014

WARZOO

A história:
Cansados de serem maltratados e explorados pelos fazendeiros, os animais se unem em busca de seus direitos, como numa verdadeira revolução socialista! Constroem juntos um moinho, simbolo de sua luta, criam um código de ética, passam a viver em comunidade, liderada pelos porcos. Mas nem tudo são flores, e logo o domínio dos porcos é questionado devido ao abuso de poder, e a fazenda entra em declínio.

Essa é a premissa da história escrita por George Orwell na década de 40, e que permanece atual. Warzoo é uma paródia dessa história, num cenário algum tempo depois, quando o declínio dos porcos deu espaço para uma nova liderança, os ornitorrincos. Animais exóticos com características de várias espécies (bico e pés de pato, pêlos, veneno, etc), eles acabam por conquistar a confiança dos bichos que se identificam em algum ponto. Assim, surgem duas frentes de poder em busca pela soberania da fazenda.

Objetivo: 
Vencer a maioria das batalhas e dominar a fazenda.

Componentes: 
- 64 cartas (2 decks, cartas de cenário e silo)
- 2 cartelas de marcadores
- 1 manual de regras
- 3 cartas de ajuda

O destaque dos componentes fica por conta da arte sensacional de Daniel Araújo, seu primeiro trabalho como ilustrador de jogos e de Marcelo "Groo". Cada personagem possui características e personalidade, além de um traço marcante.

O jogo:
Warzoo possui três modos de jogo, básico (infantil), médio (casual) e difícil (para os viciados em estratégia), mas as regras básicas são as mesmas, o que difere é a entrada de uso de poderes e cenários que alteram a rejogabilidade.

Com uma linha limítrofe entre os jogadores, estes devem se preparar para 5 rodadas de batalhas, cada um
com sua facção, aliados dos porcos ou dos ornitorrincos.
Cada jogador selecionará cinco cartas de seu deck de 25 e as colocará de cabeça para baixo na linha de frente. São cinco posições, representando cinco cenários da fazenda.
Uma a uma, elas serão reveladas, na ordem a ser escolhida pelo jogador que estiver com a vantagem da vez. Sendo bastanteeeeee simplista, é como ter a carta maior, se um jogador coloca 10 e o outro uma carta de valor 8, o primeiro leva aquela batalha e escolhe qual a próxima carta que será aberta.

Assim, não basta selecionar quais as cinco cartas da rodada, mas é preciso levar em conta a posição em que elas serão colocadas e em qual ordem serão reveladas, pois há vários fatores que influenciam: valor da carta, poderes, cartas que alteram rodadas anteriores, carta do avatar, carta do jogador, poder de munição, e o fator humano (como pensa o adversário). Exceto no modo infantil, nos outros dois modos de jogo, tudo isso é fundamental. Existem cartas que interferem nas adjacentes, nas do turno anterior, nas suas, nas do adversário e por ai vai. A combinação de fatores é enorme e é justamente o que dá a dificuldade e o desafio ao jogo.

O grande trunfo do jogo é saber "ler" o adversário e antever suas possíveis jogadas, o fator humano, como gosta de dizer Fel Barros. O autor é um mestre nessa arte. Em partida teste entre nós dois, não me envergonho de dizer que tomei uma bela "surra" e pude aprender um pouquinho com ele sobre as artimanhas do Warzoo. Tirando a primeira rodada que venci, as seguintes foram um espetáculo a parte do Fel, antevendo cada carta que eu jogaria! Derrota honrosa para o mestre!

A rodada é vencida por aquele que tiver a maioria das vitórias individuais, isto é, quem tiver conquistado mais cenários naquela rodada. Caso haja empate, quem tiver vencido a 1a. batalha leva tudo. Essa dinâmica se repete numa melhor de cinco até se definir o vencedor.

Estão previstos novos baralhos de personagens para incrementar o jogo no futuro, mas, por hora, a versão base já garante muitas e muitas rodadas de diversão.

Para aqueles que gostam de mensagens subliminares, vários personagens possuem referências a ícones do cinema e dos quadrinhos. Uma boa diversão é tentar adivinhá-las!

Financiamento coletivo:
O jogo está em processo de captação de recursos e no primeiro dia já arrecadou a meta básica, garantindo a sua produção. Através desse financiamento, várias cartas extras poderão ser produzidas.
Término do financiamento: 11/05/2014

Confira nossa entrevista exclusiva com o autor sobre a criação e produção do jogo AQUI!


LINKS:
Página do Catarse: http://catarse.me/pt/warzoo
Página no Facebook: https://www.facebook.com/TheWarzoo
Página no BGG: http://boardgamegeek.com/boardgame/54541/warzoo

FICHA TÉCNICA:
Autor: Fel Barros
Designer: Marcelo "Groo"
Ilustrações: Daniel Araújo
Ano: 2014
Jogadores: 2 e 4
Duração: 30 min
Editora: Ace Studios


17 de abr de 2014

[ENTREVISTA] Fel Barros - WARZOO

A revolução dos bichos chegou aos jogos de tabuleiro e já é o maior fenômeno do financiamento coletivo nacional





Esta semana entrou no ar o projeto Warzoo, jogo de cartas para 2 ou 4 pessoas que defendem uma facção, dos porcos ou ornitorrincos, numa batalha épica parodiando a "Revolução dos Bichos", obra prima literária de George Orwell.


Com apenas poucas horas no Catarse, principal site nacional de financiamento coletivo, o projeto atingiu sua 1ª meta garantindo seu financiamento. Daqui até o dia 10 de maio, é continuar arrecadando fundos para produzir as metas estendidas, mais cartas especiais para o jogo. 

http://catarse.me/pt/warzoo


Algumas cartas, via "compartilhamentos" no Facebook já estão entrando no ar.
A primeira, do Wargroo (adorei!) já está disponível. Já o primeiro trio de metas estendidas, os Sapos, também já está garantido.









Este é um projeto de um poderoso trio de amigos, que estamos acostumados a encontrar nas jogatinas, mas que passaram agora ao patamar de autores: Fel Barros (autor), Marcelo "Groo" (designer) e Daniel Araújo (ilustrador).

Entrevistamos o autor para saber todos os detalhes por trás do jogo, e a história ficou bem interessante! CONFIRA NO VIDEO ABAIXO como surgiu o jogo, todas as influências, a escolha das mecânicas e um pouco mais sobre o trio que vai dar trabalho. (E a nova vinheta do Desbussolados ^_^)

Clique em configurações para assistir em HD.

Para encerrar o bate papo, que além de Warzoo teve um belo canelone, literatura, minions, não podia faltar, claro, o top 10 do Fel, o gente boa das peças!

TOP 10 FEL BARROS:
#1: Imperial
#2: Chicago Express
#3: Puerto Rico
#4: Planet Steam (ex top #1)
#5: Dungeon Lords
#6: Goa
#7: Tikal
#8: Antiquity
#9: Twilight Imperium (Third Edition)
#10: Terra Mystica

EUPHORIA: BUILD A BETTER DYSTOPIA


 Num mundo pós-apocalíptico, surge uma nova Ordem Mundial, mas o que ela pretende é só aumentar a distância entre os trabalhadores e a elite, numa inversão aos do socialismo utópico.

Objetivo: conseguir ser o primeiro a alocar suas 10 estrelas no jogo.





Componentes:
90 cartas
1 tabuleiro
24 dados de trabalhadores
94 tokens diversos
111 tiles diversos
1 livro de regras

Caprichadíssimos! Euphoria traz um apuro técnico e lúdico de nos encher os olhos! Desde o básico, tabuleiro, cartas e manual de regras, nos chamam a atenção os tokens especiais (via Kickstarter), da pedra à barra de ouro (de metal) aos itens básicos, todos personalizados. Um luxo!

O jogo:
Euphoria é um jogo de alocação de dados e set colection, num encadeamento de ações que vão desde produzir recursos e matérias primas até a criação de mercados e indústrias. A temática política fica por conta de um sistema de equilíbrio do jogo que controla a consciência inteligente da população até a sua total ignorância. Afinal, para a elite euphoriana, quanto mais o povo trabalhador for ignorante, melhor. Sim, este é um jogo politicamente incorreto, mas bastante parecido com a nossa infeliz realidade.

arte base do tabuleiro

As ações são simples, complexo é conseguir chegar ao objetivo antes dos adversários.
A primeira metade do jogo é bastante apertada, as ações parecem não levar a um futuro promissor, mas é apenas o tempo dos jogadores se abastecerem com recursos. Assim que o primeiro jogador abre o mercado de construções o jogo aquece, e torna-se uma corrida pelos melhores locais. Não tem como fugir das contas e do planejamento de jogadas, pois, com tão poucos “trabalhadores”, é preciso otimizar todas as funções.

jogo em andamento

Cada jogador inicia com apenas dois dados (trabalhadores) e pode conseguir mais ao longo do jogo, mas quanto mais conhecimento seus trabalhadores adquirem, maior a chance de perdê-los (o conhecimento é calculado num sistema de contagem de pontos a cada vez que os dados são rolados juntamente com outros pontos já computados numa tabela, bem engenhoso). Isso impede que jogadores disparem em relação aos outros, mantendo um equilíbrio entre os competidores.

A partir da rolagem, cabe ao jogador decidir onde alocará seus dados. Basicamente, as primeiras ações são em busca dos recursos básicos. Cada recurso está associado a um tipo de mercado e fábricas. Além de um túnel que garante benefícios aos jogadores que estiverem produzindo aquele bem.  O jogo tem um bom sistema de recompensas que incentiva o jogador à produção.

Um sistema de trocas permite que os jogadores negociem com o próprio jogo, a conversão de matérias primas em ouro, pedra, etc. Esses recursos serão necessários para a fase de construção.

detalhe das fábricas, a punição lê-se na parte inferior.
Ao mesmo tempo que o jogo premia, é também bastante punitivo. E nesse ponto é que começa a corrida pela vitória. No tabuleiro, existem pontos específicos onde os jogadores podem alocar suas estrelas. Lembre-se que este é o objetivo do jogo! Assim que um campo de construção é aberto, é fundamental que você faça parte dele, mesmo que isso não esteja nos seus planos! Quem participa da construção tem direito a colocar uma de suas estrelas, além de usufruir do mercado aberto. Mas, se você ficar de fora, não perderá somente a chance de usar a estrela, como sofrerá uma penalidade específica daquele prédio.
Naturalmente, isso pode ser revertido, mas pode lhe custar muito caro.

Outro sistema utilizado são cartas de itens especiais combinadas ao uso dos bens, permitem alcançar alguns locais do jogo.







E para completar, existem os recrutas, que dão poderes ao jogador ao longo da partida, e estão sempre conectados a um determinado tipo de indústria.
É importante ficar atento a esse personagem, e evoluir a aliança da mesma indústria pode trazer pontos importantes.




Comentários:
Euphoria pode parecer mais do mesmo a princípio, mas, ao contrário dos já conhecidos pontos de vitória, nele temos que trabalhar num sistema diferente. A princípio, isso pode distrair o jogador, tirá-lo de seu foco, mas é justamente o seu diferencial. Gerenciamento de recursos e alocação de trabalhadores são familiares aos euros, mas a ele associamos sempre a maquininha de pontos. Aqui, são meras ferramentas para se “livrar deles”. Se considerar que as estrelas sejam pontos, e cada jogador parte de 10, o objetivo será não apenas gastá-las, mas, com bastante dificuldade, alocá-las nos locais corretos, e o mais rápido possível.

Bem equilibrado, com uma boa curva de aprendizado, e uma corrida final emocionante pela vitória, Euphoria se destaca como um ótimo jogo.

O designer Jamey reproduzido em um dos tiles do jogo.
A Stonemaier Games (Viticulture) mostrou a que veio e esperamos que não pare por ai. Ambas as
produções foram realizadas através de financiamento coletivo, e eles parecem dominar muito bem essa tática, sempre com um carinho especial ao colaborador.

Obs.: regras em português disponíveis no BGG.

Informações adicionais: 
Designers: Jamey Stegmaier e Alan Stone
Ilustrador: Jacqui Davis
Publisher: Stonemaier Games
Ano: 2013
Jogadores: 2 a 6

Duração: 60 minutos

[Resenha publicada originalmente na Ludo Brasil Magazine nº 37]