20 de mai de 2012

Tikal II: O Templo Perdido

Quem nunca sonhou com caçadas a tesouros perdidos, ser um arqueólogo como Indiana Jones, se embrenhar no desconhecido em busca de aventuras que atire a primeira pedra! Eu, como fã confessa do tema arqueologia, já pensei muitas vezes em seguir carreira, mas por enquanto, vou saciando minha sede com belos jogos de tabuleiro como os da série Tikal.

Conhecidos como Trilogia “A Máscara”, Tikal, Java e Mexica são jogos dos autores Wolfgang Kramer e Michael Kiesling, que além do tema em comum, trazem um sistema de mecânicas irmão. Dos três, Tikal foi o que mais se destacou, ganhando uma segunda versão que lhes apresento hoje, Tikal II.

História

Tikal foi descoberto e explorado durante uma expedição de muito sucesso liderado pelos Profs. Kramer e Kiesling. Uma década depois, é encontrado um pergaminho com pistas de um templo perdido perto do primeiro local. Os dois cientistas discutem sobre outra expedição à América Central quando encontram os Profs. Braff e Pauchon em uma conferência internacional em Genebra sobre arqueologia, e resolvem descobrir a verdade sobre o rumor.


Objetivo do jogo
Cada jogador assume o papel de um explorador e seu objetivo é conseguir o maior número de pontos de vitória.

Componentes
1 tabuleiro
13 cartas especiais
8 tiles passagem secreta
10 tiles de salas iluminadas
6 tiles de santuário
1 tile de sala do tesouro
1 roda de preços
25 tokens de tesouro
24 tiles de ação
35 chaves coloridas
4 acampamentos
4 tendas
80 bandeiras
4 exploradores
4 baús de equipamento
4 barcos

Em relação ao jogo anterior, Tikal II é um tesouro visual, uma arte caprichadíssima, bonita, agradável e que te convida a jogar. O capricho começa com o manual de regras que traz uma história em quadrinhos de 9 páginas contando a história da expedição até encontrarem o templo perdido. São três manuais diferentes em inglês, francês e alemão.

Todos os componentes são de ótima qualidade, os tiles e tokens com papelão de boa gramatura. As
 miniaturas de plástico são bem detalhadas e caprichosas.  O verso do tabuleiro traz a linda arte da capa colorida, sendo bastante tentador emoldurá-lo para colocar na parede.


Como Jogar
O sistema do jogo é bem simples, cada jogador deve realizar sempre duas ações básicas no seu turno. A primeira: navegar no rio que contorna o tabuleiro e pegar e usar um tile de ação. A segunda: explorar o templo e marcar pontos. As mecânica básicas são: set colection, tabuleiro modular e work placement.


Na fase de navegação, deve-se estar atento não apenas as vantagens que os tiles podem te dar, que vão desde ganhar tesouros e passagens secretas, pegar cartas especiais, ganhar chaves, abrir salas e santuários, como o progresso com que seu barco sobe o rio. Em um determinado ponto, é preciso pagar um pedágio aos índios com uma das chaves, e elas são cruciais para a sua exploração no templo.

Na fase de exploração, cada jogador deverá tentar otimizar a melhor maneira de se fazer mais pontos no turno. A cada sala descoberta, pode-se colocar uma bandeira de escavação. Se você for o primeiro a entrar nela, imediatamente ganha pontos de vitória. Mas, conforme for descobrindo mais salas da mesma cor, começa a ganhar pontos cumulativos por elas. Os santuários dão, além de pontos, bônus especiais como tesouros e cartas de ação. E no lado de fora do templo também é possível escavar pequenos nichos secretos. É muito importante ter os tokens de passagem secreta para entrar nesses nichos e para quando alguma sala ou santuário não tiver passagem.

Conforme se vai conhecendo melhor o jogo, você verá que existem pequenas estratégias que lhe permitirão disputar a vitória, pois apenas explorar o templo não é suficiente. Tenha em mente que esses são pontos básicos que todos farão. O seu diferencial será investir nos tesouros e nas cartas especiais, saber como e quando usar as passagens secretas, e tirar o máximo de aproveitamento das salas iluminadas. Existe ainda uma possibilidade de se juntar chaves no seu acampamento para ganhar pontos no final, mas, apesar de dar muitos pontos, não é uma estratégia muito fácil de se fazer, pois será preciso abrir mão de outros recursos ao longo do jogo, o que pode não ser tão vantajoso.

São jogados dois rounds, que terminam quando acabam os tiles de ação ao redor do tabuleiro. Ao final de cada round é feita uma contagem de pontos que considera a coleção de chaves no acampamento e as bandeiras nos santuários. Somente ao término do último round são contados os pontos das cartas especiais e de tesouros não vendidos. 

Quem tiver mais pontos ao final será o grande vencedor!

Considerações

Tikal II é um jogo que me atrai muito, tanto pela beleza e o tema quanto pela competitividade que ele gera ao longo da partida, na disputa por cada tile de ação, cada sala descoberta, quem dominará primeiro os santuários, quem encontrará mais tesouros, etc. É um jogo que te faz imergir no tema com facilidade, se colocando no papel do explorador.

O tabuleiro modular, o sorteio dos tiles de ação para as duas fases, e a aleatoriedade dos tesouros conferem uma boa rejogabilidade, permitindo um setup novo a cada partida.

É um jogo fácil de explicar para quem está começando, e apesar de ter bastante estratégia, ela aparece camuflada não assustando aqueles que não estão acostumados com jogos mais exigentes.

Apesar do tema e do tabuleiro modular, sua mecânica é distinta de seu antecessor. Tikal II é um pouco mais leve e jovial, mas isso não descaracteriza sua qualidade e entretimento que são ótimos.

Sobre os autores
Wolfgang Kramer (à esquerda) é um renomado gamedesigner alemão. É considerado o primeiro a usar pontos de vitória ao redor do tabuleiro.
Michael Kiesling é alemão, nascido em 1957 na cidade de Bremen. Além de colaborar com Kramer em seus jogos, é gerente numa empresa de software.

A dupla é responsável pois vários jogos como Asara, Artus, Cavum, enquanto Kramer ainda assina sozinho de 6 Nimmt a El Grande.
Site: http://kramer-spiele.privat.t-online.de/ 

Vincent Dutraité  ilustrador francês, responsável por belíssimas artes além de Tikal II, que incluem Shitenno, Mundus Novus e Diplomacy. http://www.vincentdutrait.com

Confira a regra completa antes de jogar. Disponibilizamos a regra ilustrada em português. Download via BGG.

Informações adicionais:
2 a 4 jogadores
Acima de 12 anos
Tempo médio: 90 min
Valor médio: U$40
Publisher: GameWorks
Lançado em 2010

[publicada na Ludo Brasil Magazine nº14. Este artigo foi modificado e teve seu conteúdo ampliado para o blog.]

2 comentários:

  1. Excelente resenha, parabens.

    Já joguei o primeiro Tikal e gostei muito. Preciso experimentar o segundo, pela sua resenha parece ser muito bom.

    abs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. valeu, Jesse! Eu gosto muito do Tikal II, é mais leve e a arte é linda ;)
      Anda sumido, rapaz.

      Abraços.

      Excluir