22 de dez de 2012

Wiraqocha


De volta às escavações míticas, agora chegamos a América do Sul, mais precisamente ao Lago Titicaca no Peru, e prontos para mais uma aventura arqueológica cheia de ação e misticismo em busca dos tesouros de Viracocha. Quem quer embarcar nessa? 

Em 1895, numa mundo steampunk paralelo ao nosso, Augusto Copperpot descobre um portal na Amazônia que conduz a um vale de uma civilização primitiva, e ele o nomeia como o Vale do Éden de Viracocha. Ele descobre um cristal luminescente laranja predominante nesse território, capaz de ser combustível, afetar a matéria e até mesmo o tempo, e o denomina Somnium.

A Imperatriz Vitória II envia várias equipes expedicionárias em busca de suas riquezas e é chegada a nossa hora de agir!


Objetivo
Ser o primeiro a completar um dos 3 objetivos do jogo: encontrar os quatro crânios de cristal dos filhos de Viracocha, reunir um carregamento de cristais Somnium para a Imperatriz, reunir conhecimentos e os recursos para a construção do Leviatã.

Componentes
- Livro de regras A4 colorido, em 3 línguas (Inglês, Francês e Alemão)
- 2 cartas de referências A5 em 3 línguas
- 24 tiles hexagonais
- 11 dados de 6 lados
- 7 tokens de madeira de cada cor de jogador (mais adesivos)
- 3 tokens de madeira adicionais (mais adesivos)
- vários tokens de papelão
- 12 cartas
- 25 cubos de madeira
- 25 cristais de plástico

Excelente qualidade dos componentes, com os tokens principais dos jogadores em madeira, tiles bem rígidos e com bom encaixe para o tabuleiro. Manual e resumo das regras trilíngue, muito bem explicados e ilustrados. Destaque para os cristais de Somnium, que poderiam ser apenas mais cubos laranjas, mas são pedrinhas como cristais que tornam a brincadeira mais lúdica.

O Jogo
O Vale de Wiraqocha é representado por um tabuleiro modular com 22 tiles hexagonais, cada um identificado por um número de 1 a 12 ou uma combinação de dados (duplos ou conjuntos). Por sua vez, cada jogador irá lançar uma série de dados de seis lados, e terá que combiná-los para assumir o controle de territórios diferentes, ou proteger aqueles que já controla dos inimigos. Cada território possui um tipo de benefício. Cada jogador deve traçar sua estratégia visando os um dos três objetivos finais, e buscar nos territórios do vale os produtos que precisa.

A mecânica do jogo está fundamentada na rolagem de dados, e para diminuir o fator sorte, o jogo prevê várias possibilidades de se contornar esses fatos. Dois recursos podem ser usados para mudar um resultado de um dado para um valor a mais ou a menos. Um cristal Somnium pode ser usado para rolar mais um dado. Alguns territórios permitem ao jogador ter mais um ou re-rolar um dado.

Como o território é limitado, cada tile é muito disputado, e os combates se dão todo o tempo, exigindo do jogador pensar sempre uma rodada a frente, pois no próximo turno, já pode não mais estar nos mesmos territórios, tornando o jogo bastante ágil.

Cada jogador possui uma equipe e equipamentos a sua disposição, representados nos tókens e cada um deles possui uma ação especial: seu acampamento base (o primeiro tóken a entrar no vale, obtém recursos), exploradores (obtém recursos), zepelins (vão mais longe e alcançam as montanhas) e furadeiras (prospectam Somnium).

 
No seu turno, o jogador pode fazer uma série de ações, a começar pela rolagem de dados que determinarão sua movimentação pelo vale. Dos dados rolados, ele deve usá-los de forma combinada ou não, para entrar nos territórios vazios ou previamente ocupados. Quando entra num ocupado, expulsa o jogador anterior. Se o tóken ali presente for uma máquina, é mandado para o grande Cemitério das Máquinas, e passa a ter um custo para ser resgatado, se for o acampamento base ou explorador, vai para a reserva. O jogador também pode colocar dados em seus territórios para aumentar a dificuldade do adversário em conquista-lo.

É possível ainda comprar cartas de Invenção e Construções, que lhe dão ótimos benefícios. No entanto, as cartas de Invenção podem ser roubadas por qualquer jogador, e ele próprio pode roubar de outros jogadores, de modo a que nenhum jogador usufrua muito tempo de seus poderes que poderiam desequilibrar o jogo. As cartas de Construção não podem ser roubadas.

Aquele que conseguir completar um dos três objetivos primeiro será o grande vencedor.

Considerações
É um jogo do selo belga Sit Down!, com tiragem quase exclusiva e já esgotada, e por isso difícil de encontrar pelas mesas brazucas. Isso faz dele um jogo pouco conhecido, mas é uma condição que deve mudar, pois vale a pena jogá-lo.

Suas principais características de dinamismo em busca de territórios e principalmente, na tentativa de se cumprir os objetivos, vão além dos clássicos euros em que se pode traçar uma estratégia inicial e calmamente ir buscando-a ao longo do jogo. Devido a constante mudança de configuração da partida, em Wiraqocha isso se torna mais difícil, e é recomendável sair com duas estratégias iniciais para não ser surpreendido.
esboços da arte



A arte fica por conta de Yuio, da mesma equipe do belo Takenoko, que dá o gás para querer jogá-lo além do tema. Este que merece um comentário a mais. Estamos tão acostumados a ver incursões pelo Egito e terras antigas, e tão poucos exemplos de Arqueologia Sul Americana, que vale o destaque ao Henri Kermarrec (ao lado). Já falamos aqui na revista da série Tikal, e Wiraqocha vem somar-se a esse grupo de jogos com uma boa lembrança do tema de arqueologia sulamericana e visualmente caprichado.



REGRAS EM PORTUGUÊS: Traduzimos as regras para o português, e você pode baixar aqui via BGG.

Última notícia: A expansão "Wiraqocha: The Way of the Feathered Serpent" foi lançada em Essen este ano.  
Informações adicionais:
2 a 4 jogadores
Acima de 12 anos
Tempo médio: 30 a 60 minutos
Valor médio: $45
Publisher: Sit Down! e Arclight

[publicada na Ludo Brasil Magazine nº20. Este artigo foi modificado e teve seu conteúdo ampliado para o blog.]

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