31 de mar de 2012

Viagem pelo Mundo

[publicada na Ludo Brasil Magazine nº13]

Dando continuidade a nossa resenha do mês passado, depois de "Ticket to Ride", achei justo apresentar um jogo brasileiro digno de nota que também traz a tona o tema “viagem”. Mas, ao invés de conhecer apenas poucos países por vez, que tal  uma "Viagem pelo Mundo"?

Objetivo do jogo:
Realizar uma viagem pelo mundo e ser o primeiro a voltar ao seu ponto de partida, depois de visitar 9 cidades.

Abrindo a caixa - componentes:
1 tabuleiro  
4 peões 
4 fichas 
132 cartas 
1 dado  
1 manual de regras  



O tabuleiro é dobrável em quatro partes e uma superfície mais firme seria melhor recomendada que a gramatura de papel cartão utilizada, mas não compromete o funcionamento do jogo. Apenas ao longo do tempo, com o uso, suas bordas se desgastam e pode comprometer o encaixe perfeito das partes. O verso do tabuleiro possui o emblema do jogo impresso em cada uma das partes o que adiciona um toque de cuidado da empresa.

 
Os peões tem o corpo transparente, o que foi uma ótima ideia ao permitir que se veja o que está sob ele, neste caso, as cidades. As fichas são de plástico, pequenas e adequadas ao tabuleiro.

As cartas são rígidas o bastante, e o interessante é que, na parte frontal contém as informações e rotas para o jogador, em 4 cores e superfície laminada, enquanto que no verso, traz informações e curiosidades sobre a cidade em questão o que ajuda a enriquecer os conhecimentos de quem está jogando. Essa parte é fosca e com impressão preto e branco, o que cria um contraste com a frente e não atrapalha o jogo.

Importante dizer que as cartas vêm em dois decks separados e presas por enlace plástico (como no Coloretto), ao contrário da moda de outros fabricantes em mandar as cartas para serem destacadas, o que é péssimo, além de correr o risco de rasgarem, ficam marcadas e seu manuseio é difícil. Ponto para a Grow.

O manual de regras é uma folha A4 em preto e branco, visualmente desfavorável, mas com exemplos ilustrados das regras, típico “padrão Brasil” que poderia ser mudado.

Mais um ponto para o berço do jogo, no tamanho certo para acondicionar as cartas e as peças no saquinho plástico, além de possuir uma ilustração colorida que dá um charme a mais.

O Jogo:
O deck de cartas é dividido em 3 cores: vermelho, verde e amarelo. Cada jogador recebe uma carta inicial, de cores diferentes, que será seu ponto de partida no roteiro. Em seguida, todos devem receber mais 8 cartas, de modo a ficarem com três cartas de cada cor.  
 
Essas nove cartas serão o itens do roteiro que o jogador precisa montar. Aqui fica a parte estratégica do jogo. Cada um deve analisar qual a melhor rota para percorrer todas as cidades e retornar a cidade original. Todas as cartas possuem coordenadas de letra+número para auxiliar sua localização no mapa. Outras possuem aeroportos que agilizam sua viagem, e por fim, algumas possuem ações no verso que podem ajudar ou atrapalhar o jogador. Cada um deve avaliar todas essas informações para construir sua rota.

Além disso, as ações de outros jogadores podem vir a interferir nos seus planos, é quando se necessita de jogo de cintura para readaptar sua estratégia inicial, às vezes, precisando alterar seu planejamento de rota inicial. Com dois jogadores, a partida fica bem leve, mas com 3 ou 4 (que considero ideal), é preciso muito rebolado pra conseguir completar a sua rota, que provavelmente precisará ser alterada ao longo do jogo.

Os aeroportos são grandes facilitadores para se cobrir longas distâncias e usá-los com sabedoria é importante. Mas atenção, nem sempre é a maneira mais rápida de se chegar ao seu destino.

Considerações:
Considero este um bom jogo, com boa dose de cultura e informação, o que pode ser uma ótima ferramenta para crianças e adolescentes que possuam dificuldades com Geografia, e até mesmo adultos curiosos.

Apesar da movimentação ser em função da rolagem de dado, considero o fator sorte baixo, pois é possível sobrepô-la com uma boa tática e análise das suas cartas-cidade e posicionamento de seus adversários.

A rejogabilidade é alta, vista que depende das cartas sorteadas e da estratégia de cada jogador em como planejar sua rota, logo, por mais que retire cartas repetidas em diversas partidas, ainda estará construindo rotas diferentes.

O tema é de fácil assimilação e agradável a boa parte das pessoas, afinal, quem não gostaria de dar uma volta ao mundo e conhecer suas cidades mais famosas?

Proporciona bons momentos de diversão entre os jogadores, principalmente quando se ativa o “correr contra o relógio”, ou seja, algum dos jogadores dá sinal de que já está para concluir sua rota e os demais precisam agir rápido para retornarem ou impedir que esse jogador o faça.

Em suma, é uma boa pedida do mercado nacional e que ainda está a venda nas lojas, embora se mantenha bastante “obscuro”. Pode ser uma boa porta de entrada aos nossos tão falados "euro games" e figura sem problemas em uma boa ludoteca.

Informações adicionais:
2 a 4 jogadores
Acima de 8 anos
Tempo médio: 30 a 40 min
Valor médio: R$40
Publisher: Grow

21 de mar de 2012

Jogatina à moda antiga

Foi publicada ontem a matéria da Lu Repórter no jornal O Estado RJ, referente ao Spaghetti das Peças.
Infelizmente a matéria precisou ficar bem reduzida e sem fotos, mas a gente publica uma versão mais completa depois.


Por Luciana Biazzi (via O Estado RJ)

Jogos de tabuleiro reúnem fãs semanalmente no Largo do Machado, no Rio de Janeiro 

O relógio marca 18h em ponto de uma quinta-feira e o webdesigner Rodrigo Manique termina de comer um espaguete no restaurante Spoleto do Largo do Machado, quando uma funcionária lhe pergunta se pode retirar seu prato. Ele diz que sim e, ao invés de pedir a conta, pede a chave. A funcionária retorna segundos depois e lhe entrega uma chave. Rodrigo se levanta, vai até um armário de madeira que fica próximo aos banheiros, abre as portas do armário, revelando uma estante com oito prateleiras repletas de jogos de tabuleiro. Ele escolhe um jogo, fecha o armário e volta para a mesa, dando início a mais um “Spaghetti das Peças”, um encontro semanal de fãs de jogos de tabuleiros.

Origens

Tudo começou como uma brincadeira entre amigos que se reuniam em suas casas para jogar. O professor Marco Bouzada, que joga em grupos desde 2002, explica: “aí o grupo começou a crescer e nossas casas ficaram pequenas”. A partir de então eles passaram a marcar os jogos em locais públicos, mas ainda assim permaneciam os problemas para encontrar lugares que comportassem o grupo, que tivessem mesas adequadas e facilidade para comprar comida.

“O Spaghetti das Peças surgiu no início de 2010. Como eu era sócio do Spoleto, que no período da noite tem um movimento mais tranqüilo, já tinha uma coleção grande de jogos e acima de tudo, conhecia diversos jogadores com o mesmo interesse que o meu, decidimos ´juntar a fome com a vontade de comer´ e organizamos o evento”, revela Luiz Fernando Caldas, que como sócio do Spoleto, mandou construir a estante no salão do restaurante para deixar à disposição do grupo mais de 100 jogos de seu acervo pessoal.

A paixão pelos jogos de tabuleiro atrai em média 35 jogadores aos encontros do grupo, o que chama a atenção dos clientes do restaurante, mas não chega a atrapalhar a rotina do estabelecimento.“Além de fazermos o evento num horário mais propício e de menor movimento, mantemos os jogadores numa área reservada. Alguns clientes ficam curiosos para entender e conhecer melhor a respeito, pois de certa forma todos nós temos alguma ligação afetiva com os jogos de tabuleiro, ainda que os eurogames (jogos mais desafiadores, mais elaborados, mais interativos que os tradicionais jogos de tabuleiro. fonte: www.tujogas.com), sejam bem diferentes daqueles que conhecemos na nossa infância e adolescência”, explica Luiz Fernando Caldas.

Os Jogos de Tabuleiros Modernos

Não se sabe precisar quando os jogos de tabuleiros foram criados, estima-se que existam desde tempos imemoriais e, hoje em dia, mesmo enfrentando a concorrência dos jogos eletrônicos e computadorizados, mantém-se na preferência de muitos devido à interação e à sociabilidade que provocam em seus jogadores.

A cineasta Renata Palheiros explica: “o que me faz tão fascinada pelos tabuleiros é a capacidade de, durante um determinado período de tempo, aceitarmos a história que aquele jogo propõe, reunidos com amigos em torno de uma mesa, enfrentando todo os tipos de desafios, da aventura ao desafio lógico e estratégico”. Rodrigo Manique  complementa: “o vídeo-game e o computer-game isolam as pessoas, enquanto o jogo de tabuleiro acaba trazendo-as para perto”.

Várias categorias, uma só diversão


Os jogos de tabuleiros são divididos em categorias: jogos antigos (os que foram criados antes da Revolução Industrial), jogos de guerra, jogos de mercado de massa (os que são lançados comercialmente como brinquedos), jogos de estilo americano e jogos de estilo europeu.

O desenvolvedor de sistemas Daniel Correa, que joga desde 2008,explica com didática:“os jogos americanos – os ameritrashs – têm um visual mais elaborado, são temáticos, possuem muitas regras e textos, têm muita sorte, cartas, dados e pecinhas, demoram bastante, alguns jogos demoram mais de cinco horas por partida. Já os jogos europeus – os eurogames – são minimalistas, têm pouco texto ou nenhum texto, pouca sorte ou nenhuma sorte, têm visual mais simples e as partidas duram menos tempo, duas horas no máximo”, conclui.

Spaghetti das Peças
Todas as quintas-feiras, das 18h às 22h
Spoleto da Galeria do Cinema São Luiz
Rua do Catete, 311, Largo do Machado
http://spaghettidaspecas.blogspot.com

18 de mar de 2012

Da Torre ao Espaguete

Resumo da semana, no último sábado, dia 10, tivemos a Torre das Peças e nesta última quinta, o tradicional Spaghetti.

TORRE DAS PEÇAS 

Cheguei já no meio da tarde com o restaurante bastante cheio. A princípio, parecia um repeteco da jogatina anterior, com Fortune and Glory e Dragon Valley rolando nas mesmas duas mesas. O pessoal realmente gostou dos jogos, e estava apresentando a mais jogadores.

EGIZIA
2 a 4 jogadores / +12 / 75 min
"Todos são construtores no Antigo Egito e competem por ser o construtor mais famoso dos monumentos antigos clássicos como Pirâmides, Obeliscos, Templos, etc. Quem conseguir mais pontos de vitória ganha."

Eu e Dani Balard nos juntamos a Estevão e Rodolfo para uma partida de Egizia. Egito com workplacement, pronto, já sabia que ia gostar, além da dupla Samuel e Dani Malavasi também já terem indicado. Não deu outra. Fácil de entender, e com uma dinâmica rápida. Basicamente, precisamos construir os monumentos no antigo Egito em busca de pontos de vitória. Para isso, a cada turno, devemos escolher entre cartas que dão ações e poderes especiais, as construções dos monumentos ou evoluir o nível dos trabalhadores.

Até a metade do jogo, nada parecia muito definido para mim. Eu demorei a pegar as cartas de objetivo que pontuam no final do jogo, mas por conta de uma boa combinação de pedras e comida que consegui fazer no inicio do jogo, me garanti para construir bastante no final da partida.Claro, somado a ajuda de algumas cartas de poderes ótimas que me permitiam subir o rio e ocupar o mesmo espaço que outro jogador.

A contagem estava disputada entre Daniel e Rodolfo, mas meus pontos da Esfinge me deram uma alavancada na contagem final.

 Colocação:
Renata 93 pontos
Daniel 79 pontos
Rodolfo 77 pontos
           Estevão 71 pontos


COLONIZADORES DE CATAN
3 a 4 jogadores / +10 / 90 min

"Colonos disputam o domínio de uma ilha construindo vilas, estradas e cidades."

Todo clássico que se preze tem que ganhar mesa quando alguém diz que nunca o jogou, é uma questão de honra, mesmo quando já estamos um pouquinho cansados de jogá-lo. E o fizemos em homenagem a dupla Estevão e Rodolfo. Mas é só fazer o setup, rolar o primeiro dado, que o monstrinho volta a ganhar vida, e a disputa pelo domínio de Catan começa!

Logo durante o setup inicial, quando colocávamos nossa cidade no mapa (pois jogamos a versão mais rápida começando com vila + cidade), Rodolfo teve uma atitude infeliz. Ele posicionou a cidade dele numa quina entre a minha e a do Estevão, bloqueando qualquer caminho pra minhas cidades. Eu que não gosto de conflitos e jogos de guerra, a declarei contra ele naquele momento. Anti jogo logo de cara? 

Não ia ser fácil dar a volta por cima, ainda mais porque os dois se uniram contra eu e o Daniel, a troco de nada. Mas a experiência acabou vencendo. Já estava com 9 pontos, quando Dani pegou minha carta de maior estrada, e completou a ação ganhando mais dois de maior exército, fechou com 11 pontos. Vitória merecida, provando mais uma vez que Catan não se joga sozinho, e sim sabendo negociar na hora certa.

Colocação:
Daniel 11 pontos
Renata 7 pontos
Estevao 7 pontos
           Rodolfo 5 pontos


LAST WILL
2 a 5 jogadores / +12 / 60 min

“Como seu último desejo, seu tio rico afirmou que todos os seus milhões iriam para o sobrinho que melhor puder desfrutar de seu dinheiro. Como saber  quem será o sobrinho que ficará rico? Será dado, a cada um, uma grande quantia de dinheiro e quem  gastá-lo primeiro será o herdeiro legítimo.”

 Em seguida, eu e Dani fomos para a mesa de Last Will com Victor e Nuno, partida já combinada anteriormente, e com muitos meses de atraso. Minha lista de Essen'11 está completamente defasada e agora que estou correndo atrás do prejuízo.

Simplesmente amei o jogo! Claro, já tinha lido bastante sobre ele, estava doida pra jogar, a resposta de quem joga sempre é positiva, mas é preciso conhecer pra poder sentir. Seu primeiro desafio é quebrar o paradigma ao qual estamos tão acostumados que é acumular pontos e/ou riquezas. Estamos condicionados a produzir saldo positivo, e de repente temos que fazer justamente o inverso, gastar, perder tudo! Leva um tempinho até que seu cérebro funcione ao contrário, e comece a pensar qual a melhor forma de produzir combos que "torrem" seu nada suado dinheirinho.

Pra piorar, iniciamos o jogo cada um com a quantia de 110 dinheiros, quando normalmente inicia-se com 70, o que tornou o jogo bastante disputado até a última ação a ser feita! Não posso deixar de reportar que no penúltimo turno, quando decidimos vender nossas propriedades (pois não podemos declarar falência enquanto tivermos bens), eu precisei desvalorizar a minha (laranja), ajudando o Daniel que também tinha casa da mesma cor, e valorizar a dos adversários, Victor e Nuno, ambos tinham a cor verde. Nesse momento você aprende o que é cutucar a onça com vara curta. Foi preciso que eu saísse da mesa de tão irritado que deixei o Victor. A tensão é tão grande, que os 3 dinheiros em que valorizei sua propriedade atrapalharam muito sua estratégia.

Aumentando ainda mais a tensão, eu e Nuno empatamos em dinheiro, e o desempate era quem tivesse se planejado primeiro na escolha das ações, me dando vantagem. No entanto, eu abro mão do primeiro lugar, assumindo o empate de honra com o Nuno, pois ele conseguiu fazer o jogo sem usar da carta de ação extra, parabéns!

Pra finalizar, a arte do jogo é maravilhosa! Mais um motivo pra minha mão coçar e não resistir a comprá-lo quando cheguei em casa.

Colocação:
Renata 5 dinheiros
Nuno 5 dinheiros
Daniel 6 dinheiros
           Victor 7 dinheiros

SAINT PETERSBURG
2 a 4 jogadores / +10 / 45 min

"Em 16 de maio de 1703, o Czar Pedro, o Grande, fundou a primeira construção. Rapidamente prédios impressionantes são erguidos cada vez maiores e bonitos. Tais construções atraem a glória da aristocracia e pontos de vitória aos jogadores. Todos devem pegar as cartas certas que por vezes estão bem à sua frente."

Já fechando a noite, fica aquela sensação de "vamos aproveitar mais 30 minutinhos", e eu e Victor fomos jogar Saint Petersburg. Realmente já eram 22h, tinhamos jogado 3 jogos cada um e estávamos cansados. Estava me sentindo uma pata fazendo perguntas bobas e repetitivas a cada regra que ele explicava. Mas conseguimos levar quase até o final. Abdicamos do término por conta da hora, e a partida terminou com larga vantagem de pontos pro Victor. 



Rolou ainda Black Gold, Ra, Shipyard, Belfort, Wiz-War, Dominant Species, Olympos, entre outros.



SPAGHETTI DAS PEÇAS

A quinta contou com a visita ilustre da minha querida amiga Luciana Biazzi, que foi especialmente conhecer a galera do Spaghetti para uma matéria jornalística. Bouzada a entreteve com a história do surgimento dos movimentos cariocas, enquanto Rodrigo lhe apresentava os jogos da sagrada estante do Spoleto! Mas claro que eu não ia deixá-la ir embora sem provar do veneno, então, juntamente com Dani Balard, fomos compor uma mesa de Small World.



SMALL WORLD
2 a 5 jogadores / +8 / 80 min 
 “Small World é um jogo de civilização onde os jogadores se confrontam para conquistar e controlar um mundo que é pequeno demais para acomodar a todos! Cada civilização é formada pela combinação de uma raça com suas próprias habilidades mais um poder especial único, podendo se formar diversas combinações diferentes.“



Há muito tempo queria jogá-lo, então pedi que o Dani o trouxesse. Cerco de área e combate realmente não são o meu forte, mas aliado as criaturas místicas desse pequeno mundo, como não se encantar? Fiquei por último na ordem de jogo e acabei me dando mal na escolha das raças+poderes especiais. Lu ficou com os Elfos+Catapultas [Catapult Elves], e Dani com a bombástica combinação de  Fadas+Pilhagem [Marauding Pixies]. Não podia renegar minhas queridas Ciganas+Voadoras [Flying Gypsies], mas elas pouco puderam fazer frente ao mar de fadas que dominaram o tabuleiro no primeiro turno do jogo.

Pra piorar, Lu não queria fazer aliança contra a soberania de Daniel, afinal, apesar de se dizer café-com-leite (quem não te conhece que te compre), ela disputava a liderança de igual pra igual com ele. Enquanto eu e minhas ciganas íamos ler o tarô em outras freguesias.

Entramos em declínio, mas o cenário não mudava a meu favor nem com toda a magia dos duendes irlandeses. Lu continuou arrasando com a combinação Forest Giants, Dani destruindo com os Stout Barbarians, e eu pastando com os Imperial Leprechauns.

Sétimo turno, já dava pra vislumbrar o final catastrófico do jogo. Daniel se estabeleceu com os Barricade Homunculus, que lhe permitiam muitos pontos por turno, sem o menor esforço. E acreditem, eu tentei atacá-lo, mas já era carta fora do baralho a muito tempo. Tentei equilibrar um pouco contra Underground Ghouls da Lu, e meus valentes Spirit Goblins lutaram até o fim por míseros pontinhos finais.

Acachapante vitória do Dani, mas gostei do jogo. Apesar de termos usado apenas o tabuleiro base, já deu pra sentir que a variedade de raças + poderes confere uma rejogabilidade alta e interessante.

Colocação:
Daniel 113 pontos
Luciana 83 pontos
           Renata 78 pontos


DIXIT
3 a 6 jogadores / +8 / 30 min
"Diante de várias belas imagens, um jogador será o “narrador”, aquele que dirá em voz alta o que a carta escolhida por ele significa. Os demais jogadores deverão escolher, da sua mão, uma carta que se assemelhe a descrita pelo narrador. Todas serão embaralhadas, e todos devem tentar adivinhar qual era a carta original.”



Peter e Leandro chegaram no meio da partida anterior, mas Lelê acabou indo embora cedo. Peter puxou o já clássico Dixit para a Lu conhecer outro tipo de jogo. Foi uma partida calma, perto dos padrões, e com quase todo mundo acertando as cartas, o que não costuma ser normal. Jogamos com a variante da carta aleatória, conferindo mais diversidade e dando chances ao narrador de também interpretar as cartas. Gosto muito dela e da incrível imprevisibilidade de uma carta aleatória ter tanto ou mais a ver com o tema da vez que as escolhidas pelos jogadores.

Colocação:
Peter 32  pontos
Lu 30  pontos
           Re 28 pontos
           Dani 22 pontos

SABOTEUR
3 a 10 jogadores / +8 / 30 min


"Anões escavam uma mina em busca de ouro. Mas entre eles há sabotadores que atrapalharão seu caminho! Um jogo de blefe entre mineiros e sabotadores."


Final das mesas, quase hora de fechar, mas o grupo estava animado, então fizemos um mesão de Saboteur pra soltar os bichos, afinal, só tinha sabotador nessa mesa!

Em busca do equilibro, acabamos testando 3 setups diferentes, um para cada rodada do jogo. Na primeira, seguimos a regra de se ter 1 ou 2 sabotadores, com aleatoriedade. Jogamos toda a partida achando que tinham 3, de tão sacanas que estavam sendo os jogadores. Dúbio era pouco para esses mineiros, mas acabou que só tinha um mesmo, e era a Fernanda jogando "sozinha" o tempo todo. Primeira vitória dos mineiros.

Na segunda rodada, aumentamos para 3 sabotadores mais 5 mineiros, podendo ter de 1 a 3 sabotadores na partida. Novamente pensamos que tivessem 3, mas eram dois que fizeram muito bem o serviço! [Adendo: "Luciana" + "Sabotadora" deve ser cármico, anda junto com o nome. Lu Azevedo, quase que perde seu primeiro apelido!]

Por fim, usamos o número fixo de 2 sabotadores, e fluiu muito bem, bastante disputado. Bouzada sabotando geral, mas os mineiros conseguiram virar o jogo!

Acho que essa foi umas das pouquíssimas partidas que não tirei sabotador nenhuma vez, confesso que é um pouco monótono isso. Sabotar é mais divertido!

Colocação:
Daniel 6 pepitas
Bouzada 5 pepitas
Renata 5 pepitas
           Fernanda 4 pepitas
           Rodrigo 4 pepitas
           Luciana 2 pepitas

Foi uma noite tranqüila, apesar do calor assassino que estava fazendo, mas além dessas mesas, o pessoal ainda teve pique para Egizia, Blokus, Olympus.

[PS. E Lu, pode ficar tranqüila que seus títulos estão salvos, a nova Lu foi batizada pelo Dani de "Lu Repórter" ;)]

11 de mar de 2012

Dia Lúdico das Mulheres (e dos homens também)

Dia 8 de Março comemora-se o Dia Internacional da Mulher, mas, como este ano foi numa quinta-feira, e vocês já sabem, quinta+macarrão+jogos é dia de Spaghetti das Peças, era uma noite muito feminina... ou quase ;) Galerinha de sempre na área e mais várias amigas da Fernanda que fizeram o córum feminino realmente ser notado entre tantos marmanjos, e 'bora abrir os trabalhos. ^^

Cheguei cedo, Rodrigo e Victor já aguardavam com suas mesas montadas à espera de jogadores, que realmente demoraram um pouco para ir chegando. Enquanto isso, botamos a conversa e dia e aproveitamos pra jantar (mega cedo). Casa cheia, é hora de começar a jogar.

DRAGON VALLEY
2 a 4 jogadores / +12 / 120 min

 "Lute no Vale dos Dragões com orcs, arietes e com os próprios lagartos voadores, tentando torná-lo um local mais seguro. A seu favor, poderá usar arqueiros, cavaleiros e catapultas. Construa prédios que auxiliem seu exército, e domine o vale antes dos outros reinos."

Na mesa, eu, Victor, Dani Balard e Bouzada competíamos pelo domínio no Vale dos Dragões.

É o típico lobo em pele de cordeiro, com nome de ameritrash, com visual digno de qualquer rpg, mas sem miniaturas... triste... apenas cubos... Sim, ele é um euro, quem diria! E realmente tem mecânica euro, mas há controvérsias (maiores detalhes, entrem em contato com Leandro bicudo que palpitou o jogo todo sem estar fazendo parte dele. A favor do Leandro, só a capacidade de tirar cubos "poderosos".)

Leandro (bicão), Victor, Dani e Bouzada enfrentando cubos, quer dizer, dragões.


Dragon Valley é fruto da nova onda do mercado mundial, o financiamento cooperativo, conhecido como "crowdfunding". Lançado no site do Kickstarter, o jogo conseguiu superar sua meta inicial, e o resultado do sucesso você sente nos componentes, que são bons, apesar de bem simples. 

Jogo interessante em que os recursos, desde prédios, cartas especiais e personagens (vilões e mocinhos = os cubos) são disputados em duplas que se alternam ao longo do jogo, entre partilha do monte e escolha. Se você está na partilha, as vezes precisa preparar um monte realmente atrativo para o seu "parceiro" escolher de modo que o outro sobre com o que te interessa. Mas nem sempre isso dá certo, não é senhor Victor? ^^ Ele foi às raias da loucura quando Bouzada preparou uma pilha de dragões contra outra com todos os itens da vez. O pior é que eu teria feito o mesmo, ele não fez por maldade, mas vai entender cabeça de jogador, não é mesmo? Victor pegou os quatro dragões, não sem esbravejar um bocado. No final das contas, eles até que foram úteis, e garantiu sua vice-liderança. 

Pequenas considerações: alguns prédios são muito importantes e deve-se tentar adquiri-los logo no inicio do jogo. Fazer o efeito cascata para empurrar os bichos penhasco a baixo é fundamental, mas para isso é preciso ter inimigos [o que não era meu caso]. Ter inimigos não é ruim, afinal, sua morte é que gera pontos de vitória. E não demorar muito para tentar entrar no vale também é importante, pois lá se encontra a maior quantidade de pontos de vitória.

Colocação:
1º Bouzada 35 pontos
2º Victor 32 pontos
3º Renata 18 pontos
           4º Daniel 11 pontos


FORTUNE AND GLORY
1 a 8 jogadores / +12 / 90 min

"Caçadores de tesouros viajando pelo mundo em busca de artefatos antigos contra vilões nazistas nos anos 30, em busca do prêmio final de fortuna e glória! Aventura, vilões infames, muito perigo e suspense!"

Foi uma partida longa, incluindo a explicação, que casou com a da mesa de trás, Fortune And Glory, jogo no estilo Indiana Jones, em busca de tesouros ao redor do mundo, com muita pancadaria nos nazistas e enfrentando muitos perigos. A turma ao redor da mesa era grande para ouvir as explicações, e o tabuleiro e componentes eram de encher os olhos.


Outras mesas:

Ideology

Stone Age: Fernanda trazendo novas jogadoras a casa.

Dominant Species
Tikal


Para coroar a noite, tivemos a presença do Felipe, nosso querido e idolatrado salve salve atendente nº1 do Spoleto que não estará mais nos acompanhando nas jogatinas nossas de todas as quintas, mas que com certeza terá sempre um lugar a mesa quando quiser aparecer!


8 de mar de 2012

Ludo Brasil Maganize nº 13

Para alguns, o número 13 é acompanhado de maus augúrios, mas pra gente e pra revista Ludo é muita sorte e boas energias.

Confira a edição deste mês, recheada de matérias legais, e nosso review sobre o jogo "Viagem pelo Mundo" da GROW.

A revista está disponível tanto para leitura online, quanto para download, basta possuir o Adode Acrobat (PDF).




Para ler:


Para baixar:
http://www.4shared.com/office/kWbO_Oa-/Ludo_013.html?


 

7 de mar de 2012

Feliz Aniversário, Rio das Peças!

Dia 1 de março, a cidade do Rio de Janeiro completou 447 anos, mas quem comemorou fomos nós, com nosso tradicional "macarrão nerd", carinhoso apelido dado pela amiga Tati Laai ao nosso Spaghetti das Peças.

Consegui arrastar o Samuca comigo, e aproveitar pra matar as saudades, pois não nos víamos há algum tempo. Espaço reservado cheio de rostos conhecidos e queridos, entretidos em suas mesas. Enquanto aguardávamos a chegada da Lu, iamos conversando um pouco aqui e ali, até Warny puxar um Strasbourg, "joguinho rápido, gente, até a Lu chegar..." Aham... sei, conta outra! ^^

STRASBOURG
3 a 5 jogadores / +12 / 60 min

"Século XV - as entidades políticas da cidade são influenciadas pelas guildas dos artesãos. Os jogadores são membros de famílias de ascensão da cidade. Seu objetivo é colocar membros da família nas diferentes guildas. Somente o uso inteligente de pontos da influência torna possível ser acomodado como o artesão do aprendiz, o assistente ou mesmo o mestre. Mas sem subestimar o poder da igreja ou da nobreza."


Já um velho conhecido da galera, mas mesmo assim, ainda mantém seus mistérios, não é mesmo Lu? Eu o havia jogado apenas uma vez há um ano atrás, e o Samuca estava sendo apresentado. Sem muitas expectativas, tentei me ater apenas aos 3 objetivos que peguei. Por sorte, dois deles podiam se complementar. Mas a gente nunca pode ficar sossegado quando se tem um mestre como Warny e uma batalhadora no melhor estilo "garganta" como a Lu. 

Tabuleiro (By Samuel)

Samuca jogava agressivamente competindo nos leilões e dominando a cidade com seus meeples. A partida rolou animada até a contagem de pontos, quando consegui uma pontuação histórica (pra mim, claro) numa vitória de superação emocional, afinal, não é todo dia que conseguimos ficar a frente do Mr. Warny ;)

"Hum... vendo ou não vendo, eis a questão..."
Warny e Samuca disputaram a segunda colocação, enquanto a Lu fugia da estigma de voltinha. [Agora perdi a amizade >.<]

Classificação:
Renata 69 pontos
Warny 51 pontos
Samuel 47 pontos
           Luciana 35 pontos

Inconformada com sua série de derrotas para esse belo jogo do Stefan Feld (puxando o saco só porque ganhei. Mas é um bom jogo mesmo. Não sou fã de leilões, mas dou o braço a torcer a este!), Lu fez questão de jogar mais uma partida. Desta vez as cobaias foram o Dani Balard e uma nova convidada. Espero que a Lu não a tenha feito sofrer muito. Mas afinal, conta ai qual foi o resultado! ;)


BALLOON CUP
2 jogadores / +10 / 30 min

"Numa corrida de balões, os jogadores competem no estilo "carta maior/menor" para conseguir cubos que serão trocados por troféus de vôo"





Pra galera de Nikity, nossa carruagem já ia virar abóbora, então jogamos uma partidinha de Balloon Cup. Essa foi muito mais disputada do que a que tinha jogado anteriormente com o Dani Malavasi. O jogo quase chegou a travar porque esqueci do bug que não podem entrar 3 cubos cinzas ao mesmo tempo na partida. Mas logo vieram umas cartinhas cinzas pra resolver o problema. Depois de um pequeno sufoco, consegui juntar os cubinhos suficientes pros 3 troféus.

Desenrolar do jogo. (By Samuel)
Enquanto isso, outras mesas rolaram. As fotos são "artisticas", para não dizer do celular sem foco, mas vale o registro do pessoal. ;)

Game of Thrones

Flashpoint

Outpost

Roll Through The Ages

Stone Age


A despedida é sempre sofrida, mas quinta-feira tem mais!